Tenho tentado (d)escrever ultimamente,
as razões de sentir o que sinto,
de fazer o que faço,
de pensar o que penso,
mas o instinto da arte,
não supera a necessidade
do sentir.
Nada vem até à mente,
nada sai de minhas mãos,
tudo permanece do campo dos por quês.
Já vivi tanto, um dia.
As tardes eram tão fáceis de serem descritas,
o futuro era tão brilhante e imaginável,
quando a certeza das dúvidas infinitas,
não cercava minhas noites,
e tudo de olhos fechados e abertos,
terminaria como o paraíso.
Os dias estão passando,
minhas pernas estão se movendo,
mas minhas mãos, a todo momento,
tentam agarrar o passado.
Quando meus dedos ainda se mexiam,
eu estava pronto para ir a qualquer momento,
mas agora temo o para sempre,
pois já não conheço mais
a eternidade.
Vivo novos infinitos temporários,
pulsando sangue, por novos sorrisos,
correndo, para novos lugares incríveis,
mas meu coração acostumado, forte, ainda bate,
nas mesmas memórias.
