Minhas mãos se movem sozinhas,
deslizam, se embalam e batem nas curvas,
com força, em uma vontade certa,
não sabem os movimentos de uma maçaneta,
então tendem a arrombar.
Três batidas em uma porta,
e o barulho dos ponteiros soaram mais alto,
já não havia mais sons lá fora,
se não o silêncio ensurdecedor
da presença que espera.
Minhas mãos não tiveram coragem de abrir,
mas uma carta foi lançada por de baixo,
a qual meus olhos visualizaram,
aquela coisa, completamente em branco.
Não haviam marcas ou rabiscos,
mas de repente os sons da espera
estavam em minhas mãos.
Moro em uma vila de poetas,
que jamais deixariam essa anomalia acontecer,
mas mesmo assim, o vazio passou pela porta
e me fez estremecer ao o conhecer.
Nos últimos dias já tentaram me vender,
entre milhões de textos,
oportunidades para sentir,
poemas para escrever,
já recebi ordens do meu chefe,
mas não consigo obedecer.
Podem ser alterações biológicas,
essa sensação de a todo tempo me perder,
a vontade de dominar e a necessidade de me ser,
me sinto mais velho, mas não sei crescer,
tudo que eu quero é me ter.
Teorizo que sairiam poesias incríveis,
se orgasmos fossem transcritos,
escritos, tirados, das linhas das minhas veias,
para as retas virtuais pintadas nessa tela.
Me sinto como um homem quando tenho poder,
mas já não me sinto mais humano
quando tento me descrever.
Não existe forma melhor de fazer meu sangue ferver,
se não em ver alguém sofrer,
de ver uma injustiça acontecer,
alguém apanhando,
sem poder se mexer.
Não conheço um poeta dessa vila que se identifica,
então sinto que estou prestes
a ter que me mover.
Não tenho pintado muitas páginas,
mas espalho meu vazio em branco
em outros tipos de folha.
Dizem que eu sou bom ao escrever,
mas deveriam ver o quanto eu sou melhor em
