Seu corpo, como nuvens de algodão, aparece em mim como uma nebulosa lembrança,
eu sei a resposta para todos os porquês, mas meus poros ainda não estão limpos,
minhas mãos ganharam a sensibilidade, então eu sei que jamais machucaria,
sonho com quando eu acelerava pelas curvas, sem precisar do freio,
e da a sensação de nossos átomos se repelindo que pulsava meu sangue como descargas elétricas,
rajadas solares, auroras boreais, explosões nucleares,
meu amor nos destruiu,
meu amor nos construiu,
guardei todos os cheiros em algum canto da minha mente,
quem sabe próximo das lembranças,
mas eles eventualmente escapam,
e eu insistiria até para o diabo para que eu pudesse chegar ao céu,
mas nunca seria o caminho certo,
me ajoelho nessas escadas esperando por perdão
mas tudo que verdadeiramente desejo ouvir
acabam em outros anos,
outros sempres,
outros planos,
em uma dor de um joelho só,
e mesmo que eu passasse o resto de meus dias na altura de seu túmulo
eu jamais saberia dizer se sua arcada dentária sabia sorrir,
se seu coração sabia bater,
se sua boca sabia mentir,
e mesmo que eu gaste a eternidade em textos fúnebres,
eu não saberia para qual nome dedicar,
somente um rosto, para desenhar,
mas eu mal sei rabiscar, então somente me resta
lembrar e escrever sobre errar,
mesmo que em outra vida eu soubesse criar,
não haveriam pigmentos de cores suficientes
para seus olhos pintar,
não haveria precisão em minhas mãos
para esculpir em mármore seus detalhes,
eu não teria, ainda assim, a capacidade
para a estética da perfeição lançar.
Eu não soube ouvir, e muito menos falar,
mas o pior, é não ser capaz de pensar,
verdadeiramente aceitar.
Quando eu era criança sonhava todos os dias
com meus amores impossíveis e distantes,
hoje em dia, sinto que meu cabelo está mais claro,
e que minhas experiências incendiaram a atmosfera em vermelho.
Lotei lagos em florestas de letras com meu sangue derramado,
eu escrevo sobre minhas correntes,
mas não significa que eu não saiba das enchentes, tsunamis e maremotos,
me agarro nas mais belas lembranças, que como em minha infância,
não sei se mais alguém consegue vê-las,
me desprendo do literal em algumas letras, pra que quem sabe,
a poetisa me mostre sua verdadeira natureza, sua verdadeira beleza,
para que minha mente não precise fugir da estranheza
de deixar de escrever poemas em razão de toda essas incertezas,
Mesmo sem pedestais, dores ou ressentimentos, ainda meu peito grita letras em batidas,
embora tenha ido, embora eu ainda respire em suas piores memórias,
embora minha criatividade flua sobre picos de possibilidades,
d'alva é mais bela ideia que eu já fui capaz de imaginar
