Deve ser complicado.
Ajoelhar e gritar ao céu,
Pedindo o perdão que não virá,
Com gritos que se voltam e ecoam
escurecendo os céus.
Estrelas apagadas no abismo,
Escuro como meu coração,
Como a tua mente, fria,
Sem luz, sem emoção.
Talvez eu devesse ser o vilão,
Continuar com poemas de morte,
Esquecer o céu, esquecer quem sou,
Deixar que o tempo me corte.
Guardar tudo até o fim,
esconder, até que tarde fosse,
mas me tornaria alguém como você,
se isso eu me permitisse.
Mesmo que o sangue secasse,
e as feridas cicatrizassem,
a espada ainda estaria em mãos,
pois eu não sou mais o único lutando.
Gostaria de ser perdoado,
mas quem há que possa perdoar?
Se não existe mais ninguém
que consiga mudar meu reflexo,
É impossível escapar.
Viver com lembretes,
De ser uma pessoa
irrelevante,
insuficiente,
descartável,
terrível.
Você já foi (a) melhor,
quem sabe seja minha culpa
por ter nascido assim.
É complicado mesmo.
