Pax Romana

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Meus deuses em estátuas,
todos tombaram ao cair da noite,
minhas crenças se tornaram ultrapassadas
no amanhecer das trevas.

Minhas bençãos e maldições divinas,
se dissolveram em textos
cravados na minha pele,
e o meu todo poderoso ser,
agora parte do que chamam de mitologia,
aquilo que ninguém já mais crê.

Restaram relatos antigos do manuscrito,
em uma língua que não conseguem entender,
uma criptografia primitiva,
quem sabe códigos celestiais,
que só quem estava por trás das nuvens,
conseguia transcrever. 

Tenho medo de invocar o passado,
quando palavras amaldiçoadas,
tendem a sair de minhas preces,
confundir plutão com outros deuses,
orações e maldições, em memórias cruzadas.

E eu me lembro de invocar o Direito dos homens,
teses do contraditório e da ampla defesa,
mas nenhum argumento processual mudaria
a parcialidade de um julgador convencido
a sumir com sua dor.

Embora não hajam mais marcas,
e o sangue do coração do último gladiador
tenha virado a poeira que corre em minhas veias,
os átomos do cérebro de César,
agora o oxigênio que está em meus pulmões,
todos caminhos levam a Roma.

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