Mantenho as velas apagadas,
os confetes guardados,
e os sorrisos no bolso.
Ainda não é hora de usá-los.
Enquanto luzes estouram no céu,
poupo as minhas, esperando pela oportunidade,
em que valha a pena
fazer as cores cantarem.
Meus diplomas são rabiscos,
pois meus esboços foram suficientes
para me formar.
Respeito as embalagens de presentes,
pois só na minha infância,
cheguei a rasgar.
Não costumava gostar muito de bolos,
mas ultimamente os aprecio,
sem o sabor do significado,
só pelo seu gosto.
Finjo empolgação pelos anos,
mas não vejo a terra girar,
então o que é que eu tenho pra celebrar?
Não lembro como é comemorar um fim,
pois nunca cheguei nele.
Não sei o que são conquistas,
pois jamais uma medalha eu ganhei.
Vinte e duas velas sobre uma mesa,
mas somente uma boca
para apagar.
Aguardo e aguardo,
um amanhã,
para celebrar.
