As cortinas estão fechadas,
mas vejo silhuetas através das janelas,
e meus papéis jogados para fora,
estão todos desamassados.
Eles sabem meu nome e onde vivo,
mas não onde guardo meus segredos,
toda palavra é um enigma a ser desvendado,
quando não existe a segurança de ser amado.
Meus antigos hóspedes, todos vigiados,
quanto tempo, até serem interrogados, perturbados?
as paredes dessa casa existem há muito tempo,
entre mãos, mães, e mais, tempo, tanto tempo,
sem presenças.
Esse lugar já foi o lar de casamentos não celebrados,
filhos que cresceram, sem terem sidos gerados,
a morte de mim, sozinho no quarto,
que tentam entrar.
Eles estão aguardando por uma ordem judicial?
Para arrombarem minhas gavetas,
compartilhar meu diários, planos, anotações,
meus pensamentos, material genético.
Em toda fresta,
há um olho apontado diretamente para mim.
Posso me esconder nos cobertores
por um pouco mais de tempo?
Eles conseguem ver minha alma?
Mas se sim, não seria isso suficiente,
para me incriminar, inocentar?
E eu sei que é difícil olhar para cicatrizes e não ver o passado,
mas tudo que elas mostram é o sofrimento que me foi causado,
não seria honesto se dissesse que já estou acostumado,
entre movimentos involuntários e memorizados,
às vezes, me sinto culpado.
Eles esperam entrar aqui e conseguir,
o que acreditam que está escondido,
o que não foi declarado,
aquilo que não tenho,
a resposta.
