Deve existir um lugar,
onde a longa jornada continua,
dentro de um sofá,
atrás de um armário,
no sótão de uma casa,
algum lugar,
com uma caixa de brinquedos perdidos.
Minhas mãos guardam tantas histórias,
que ocorreram em estofados,
cobertores, cabanas na sala,
ao som dos programas de TV,
escrevi as maiores novelas
e atuei em todas elas.
Meus atores fantoches se aposentaram
ou somente foram para outra peça?
Eu não tive a chance de me ver do palco descer,
de uma última vez brincar,
e por fim os guardar.
Lentamente desapareceram das páginas,
como os esboços de minhas histórias,
que em algum lugar devem estar,
em um paraíso das folhas pintadas,
das vidas inventadas,
da criatividade em mim impugnada.
Viver sem os ter parece tão normal,
mas nunca seria para aquele astronauta,
para o cientista que inventou a viagem no tempo,
para o historiador que descobriu nossa origem,
para o advogado com todas as causas ganhadas,
aquela criança apaixonada.
