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A praia parecia viva naquela tarde. O som das ondas quebrando na areia misturava-se às risadas distantes das pessoas que jogavam bola ou corriam pela areia molhada. Para Han Jisung, entretanto, aquilo tudo era uma pintura sem cor.
Ele estava sentado em uma cadeira de praia afastada, envolto em uma toalha que não era necessária para o calor, mas que o fazia sentir um pouco menos exposto. O céu estava limpo, o sol brilhava intensamente, e ele sabia que deveria sentir algo — alegria, paz, até mesmo tédio. Mas não sentia.
Era isso que mais o incomodava: o vazio. Não havia tristeza ou dor naquele momento específico, mas também não havia entusiasmo ou qualquer sinal de vida dentro dele. Apenas uma neutralidade insuportável que parecia ser a única companhia constante nos últimos meses.
Seus amigos estavam por ali, espalhados pela praia, mas ele não tinha forças para se juntar a eles. Não era porque não os amava; na verdade, ele se sentia grato por tê-los. Só não queria ser um peso.
— Ei. — A voz de Lee Minho o tirou de seus pensamentos.
Jisung ergueu os olhos e viu Minho parado ao seu lado, com um copo de água de coco na mão e a testa ligeiramente franzida. Ele parecia desconfiado, como se tentasse decifrar o que estava acontecendo.
— Trouxe pra você. — Minho estendeu o copo.
— Não precisava.
— Eu sei. — Minho sentou-se ao lado dele, jogando-se na areia sem cerimônia. — Mas achei que seria melhor do que te deixar aqui sozinho parecendo que você tá pensando em como o mundo é um lugar horrível.
Jisung sorriu de leve, mas foi um sorriso curto, quase imperceptível. Ele pegou o copo e deu um gole, mais para não parecer rude do que por vontade própria.
— O que você quer, Minho?
— Só fiquei entediado com a galera e resolvi te fazer companhia. Mas, se quiser, eu vou embora. — Ele falou de forma casual, mas não se levantou.
Jisung suspirou. Parte dele queria que Minho fosse embora, mas outra parte — uma parte menor, porém mais sincera — não queria ficar sozinho.
— Pode ficar.
Minho ficou quieto por um tempo, os olhos fixos no mar. Era raro vê-lo tão silencioso, e Jisung achou aquilo reconfortante. Não havia necessidade de palavras, o que aliviava a pressão em sua cabeça.
— Você tá bem? — perguntou Minho, depois de alguns minutos.
A pergunta era simples, mas Jisung sentiu o impacto dela. Ele abriu a boca para mentir, para dizer que estava tudo bem, mas as palavras pareciam pesadas demais para sair.
— Não. — Foi tudo o que conseguiu dizer.
Minho virou a cabeça para olhar para ele, mas não disse nada imediatamente. Ele apenas assentiu, como se estivesse aceitando a resposta sem julgamento.