Luísa
Tava um silêncio no avião, ninguém dava um piu.
Grego tava sentado de um lado do avisão e eu do outro com a Maitê no colo. O Yuri dormia no banco do lado do gordo e o Biel atrás com a Brenda.
Tínhamos passado cerca de 10 dias no hospital sob observação. A Brenda ficou em um Airbnb com as crianças e o Biel, o gordo é mais alguns sempre em volta do hospital. Afinal não sabíamos o paradeiro do Mt, nem se ele voltaria pra tentar algo.
Acontece que naquele dia em que o médico havia me contado que o meu bebê apesar de ter corrido muitos riscos de vida, estava ali e estava bem. Um alívio enorme se repousou sobre mim com aquela notícia.
Mas é incrível como sempre vem uma calmaria antes da tempestade, quem não estava nem um pouco feliz com a situação que se encontrava era o grego, ele não aceitava ajuda, não aceitava a situação que estava e isso dificultava tudo. Era quase impossível de conversar com ele, sua amargura criou uma barreira entre ele e qualquer pessoa que tentasse se aproximar.
Gordo - Irmão, tá na hora do remédio - falou pro grego que o ignorou - Na moral? Tu não é criança não tá ligado ? Quer ficar com dor ? Se foda você, tô cansadão das suas birra, cresce pô, haja como homem caralho. - voltou pro lugar dele e se sentou.
Me levantei, dei a Maitê no colo da Brenda, peguei a garrafa d'água e o remédio que o gordo havia deixado na mesinha e fui até o grego, sentei no banco do seu lado
Luísa - Vamos, você tá agindo como uma criança - estendi a mão com o comprimido pra ele que ficou encarando minha mão
Grego - Tô com dor não, tá suava - falou
Luísa - Vai esperar sentir dor pra tomar o remédio Ariel ? Pelo amor de Deus, para de agir como uma criança
Grego - criança ? Pra vocês é bem fácil me julgar, tão andando não tão? Então pega tuas perna e vai andando lá pro teu lugar, me deixa quieto na minha.
Coloquei o comprido e a água na bancadinha e voltei pro meu lugar.
Ele ainda não sabia do bebê e na situação que estamos não achava que era hora de uma notícia tão drástica pra ele.
A viagem foi assim, um verdadeiro silêncio, chegamos no jantar do amigo do grego já tinha carros esperando pela gente, não entendi a necessidade de 3 carros se estávamos em 5 adultos e 2 crianças. Só sei que do jeito que desceu do avião o manco entrou num carro e sumiu.
Gordo - Da um tempo pra ele, você conhece ele, sabe que é uma fase
Luísa - Sim, uma fase - falei entrando com a Maitê no colo.
Depois de algum tempo já estávamos de volta no morro.
Chegamos em casa e eu fui colocar a Maitê no quarto dela pra dormir. Precisava ver como seria agora com o Yuri aqui, teria que redecorar o quarto da Tetê para os dois dividirem. Ou poderia me voltar pra minha casa e usar o antigo quarto da Marcela pra ele.
Eu nao podia deixar o grego sozinho nessa situação, mas também nem sei se ele me quer por perto. Fui em direção ao quarto dele ver se ele tinha vindo pra casa e estava vazio.
Sentei na ponta da cama e olhei em volta, quanta coisa já tinha vivido ali e um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios. Mais involuntário que meu sorriso foi minha mão pousar sobre a minha barriga, ali dentro carregava mais uma herança do nosso amor bandido, confuso e complicado.
Grego - Tá fazendo o que aí sorrindo pra parede ? - entrou com as muletas
Luísa - Tu não podia tá subindo escada, precisa se resguardar
Grego - começa com esse papinho de mãe não fia, eu sei o que eu faço
Luísa - To cansando de tentar cuidar de você, quer quer que a perna caia ? Por mim você pode virar o Saci ! Sem noção - me levantei e ia passando por ele mas ele segurou meu braço - o que foi agora ?
Grego - caralho, saci ? - me olhava sério mais soltou a risada no final - pegou pesado
Luísa - Cara ninguém aqui tá feliz com a situação, mais tá todo mundo se esforçando pra você se recuperar logo, menos você.
Grego - To ligado, mais olha pra mim - se olhou de baixo a cima - Um aleijado
Luísa - mas um aleijado lindo - disse me aproximando dele - lindo e teimoso
Grego - Só tô com uma perna ruim viu fia, fica moscando pra tu ver se nois não faz outro filho - me puxou pela cintura
Luísa - Você tá de repouso, não pode se esforçar - falei dando um selinho nele - e a gente precisa conversar
Grego - Lá vem - se soltou de mim e foi em direção a sacada, sentou na cadeira lá - fala aí
Luísa - Yuri
Grego - o que tem o menor? - falou
Luísa - A gente vai precisar mexer no quarto da Maitê pra não fica tão feminino pra ele ficar lá
Grego - Porque ?
Luísa - porque o quarto é inteiro de bailarina ? - falei como se fosse óbvio
Grego - É só ele dormir no outro quarto - falou olhando pela sacada
Luísa - Eu não tava pensando em dividir quarto com uma criança, ele precisa de um espaço de acordo com a idade dele, brinquedos e mais ele - me interrompeu
Grego - O fia, cê tá achando que vai dormir lá ? - riu - se liga né Luísa, não sei porque ainda não mudou teus bagulho pra cá e deu o quarto pro moleque - falou e eu não tinha pensando nisso ainda.
Luísa - Mais ainda acho que a gente vai precisar de uma casa maior - falei
Grego - Pra que ? Cada um tem seu quarto, tá tudo certo, para de caçar pelo em ovo
Luisa- e quando o Vinicius vier pra cá ?
Grego - divide quarto com o Yuri, tão simples
Luísa - E quando o bebê nascer ? - falei e ele distraído nem se tocou
Grego - isso aí nois vê quando nascer - aí ele se tocou e me encarou - que bebê que você tá falando ?
Luísa - Eu tô grávida - falei esperando alguma reação dele e foi completamente ao contrário de como eu esperava
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A Herança
FanfictionDepois de mudar de país tentando um recomeço, Luísa que agora atendia por Laura estava diante de um dilema, o qual seria obrigada a retornar ao seu país e encarar assuntos mal resolvidos que deixou para trás depois de anos.
