KATHERINE STEPAN:
Eu estava andando pelos corredores da escola quando a sensação ruim voltou. A mesma sensação que tive no dia anterior, aquele pressentimento de que algo estava errado. Eu tentei ignorar, mas não dava. Algo em mim dizia que eu precisava encontrar Billie. Não sei exatamente o porquê, só sabia que ela não estava bem.
A procura por ela se arrastou. Andei de um lado para o outro, passando pelos lugares que ela normalmente ia, os corredores onde a via lendo livros, a quadra onde ela sempre corria quando ficava muito pensativa. Mas nada. Não havia sinal dela em lugar nenhum.
A cada minuto, a sensação de que algo estava fora do lugar só aumentava. Comecei a me desesperar, correndo pelos cantos da escola, chamando o nome dela, mas ninguém respondia. Meu coração acelerava e a tensão dentro de mim só crescia.
Foi quando passei pela sala de artes, a porta entreaberta. Algo me fez parar ali. A sensação ruim estava mais forte, como uma pressão no peito que não me deixava respirar direito. Eu empurrei a porta com cuidado, sem saber o que encontrar, mas, ao mesmo tempo, temendo o pior.
Foi então que vi. Billie estava ali, caída no chão, completamente desacordada, com sangue espalhado ao redor de seu corpo. O cenário me paralisou por um segundo. O sangue no chão parecia nunca acabar. Estava tão escuro e vívido, um contraste brutal com a luz fria do ambiente. Eu tentei gritar, mas minha garganta estava apertada, como se eu tivesse engolido uma pedra.
— Billie! — Eu corri até ela, caindo de joelhos ao seu lado. Minha mente estava em pânico, mas minha mão foi instintivamente para o seu pulso. Eu tentei sentir sua respiração, verificar se ela ainda estava viva, mas parecia que o mundo tinha parado naquele momento. Eu não sabia o que fazer, só sabia que ela precisava de ajuda. Eu precisava ajudar.
Com a voz embargada, gritei por ajuda, minha mente tentando raciocinar, mas tudo que eu consegui pensar era que Billie estava ali, machucada, e eu não sabia como lidar com aquilo. Cada segundo parecia uma eternidade.
— Alguém! Socorro! — eu gritei de novo, minhas palavras se arrastando como se a sala tivesse se tornado um espaço onde o som não chegava. A porta estava aberta, mas ninguém ouvia. Então, finalmente, um funcionário apareceu, depois de ouvir meu grito desesperado.
— O que aconteceu? — ele perguntou, sem entender o cenário à sua frente. Eu não tinha palavras. Ele pareceu perceber o estado de Billie e correu até o telefone, ligando para a ambulância. Eu não podia fazer nada além de olhar, desesperada, enquanto ele falava com calma, organizando os próximos passos.
Eu segurei a mão de Billie, sentindo o frio do seu corpo, o quão frágil ela parecia ali no chão. Minhas mãos tremiam. Aquele sangue, o que tinha acontecido? Como alguém poderia fazer aquilo com ela? Eu não conseguia entender, não queria entender. Só sabia que precisava que ela ficasse bem.
A ambulância chegou em poucos minutos, mas pareceu uma eternidade. Eu observei enquanto os paramédicos a carregavam, com o rosto de Billie pálido, como se ela estivesse longe de tudo aquilo, e o sangue ainda manchando o chão.
Eu fui atrás, não consegui ficar para trás. Entrei na ambulância, ainda segurando sua mão, sem conseguir desviar o olhar. O caminho até o hospital foi longo, cada minuto me deixando mais perdida na incerteza. Eu tentava me acalmar, mas a culpa parecia tomar conta de mim, me afogando. Eu me perguntava por que não percebi antes, por que não a havia protegido.
As horas no hospital foram intermináveis. Eu não conseguia me afastar. Não consegui comer, não consegui dormir. O medo me consumia a cada segundo, e as imagens de Billie caída no chão, coberta de sangue, não saíam da minha mente. Eu só queria que ela acordasse. Queria que ela soubesse que eu estava ali, ao lado dela.
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Peachy
FanficOnde Katharine Stephan Menezes, começa a reparar em Billie Eilish, a "aberração" de sua escola.
