The end

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KATHERINE STEPAN:

Dois anos se passaram desde que nossas vidas mudaram completamente. Billie agora percorre os Estados Unidos em turnês lotadas, cada show mais intenso que o anterior. Eu a acompanho sempre que posso, mesmo dividindo meu tempo com o curso de moda, que finalmente tive coragem de abraçar, apesar de ir contra a tradição médica da minha família. Louis ficou encarregado de carregar o legado dos Stepan no bisturi, enquanto eu reconstruía meu próprio caminho, ao lado de Billie.

Naquela noite em Denver, estávamos no backstage de um dos maiores shows da turnê. O lugar fervilhava com o som dos técnicos ajustando os últimos detalhes, o vai e vem da equipe, e as batidas do coração da cidade que parecia estar esperando apenas por Billie.

Ela estava diante do espelho iluminado, ajustando os detalhes do figurino: uma blusa oversized, com uma bermuda larga e um tênis da Nike, combinando com sua presença marcante. Seus dedos tremiam ligeiramente enquanto amarrava os cadarços dão tênis, e eu sabia o que aquilo significava. Billie sempre tinha essa mistura de nervosismo e empolgação antes de subir no palco, um ritual que eu tinha aprendido a reconhecer.

Aproximei-me por trás dela, envolvendo sua cintura com meus braços.

— Nervosa? — perguntei, encostando meu queixo em seu ombro.

Ela encontrou meu olhar pelo reflexo no espelho e deu um sorriso tenso.

— Sempre.

— Você vai arrasar, como sempre. — Eu me inclinei e deixei um beijo leve em seu pescoço, sentindo-a relaxar sob meu toque.

Billie virou-se para me encarar, seus olhos azuis carregando algo entre desejo e gratidão.

— Não sei o que faria sem você aqui.

— Ainda seria incrível. Mas você sabe que estou aqui para lembrar o quanto você é foda, caso esqueça.

Ela riu baixo, aquele som rouco que fazia meu coração tropeçar. Billie puxou-me para mais perto, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Você não tem ideia do quanto significa para mim, Kath.

— Eu acho que tenho, sim.

Nos beijamos, um beijo intenso, carregado de tudo o que não conseguimos colocar em palavras nos últimos dias. Suas mãos desceram pela minha cintura, apertando com firmeza enquanto eu sentia o calor de seu corpo contra o meu. Quando o beijo terminou, Billie respirou fundo, encostando a testa na minha.

— Preciso ir, ou não saio daqui hoje.

— Vai lá. Mostre a eles quem você é.

Ela assentiu, mas antes de se afastar, deu um passo atrás e me puxou pela mão.

— Fica comigo até o último segundo antes de eu entrar.

Caminhei ao seu lado pelos corredores estreitos do backstage, onde o som da plateia já começava a ecoar. O coração dela estava disparado, e o meu também, mas por motivos diferentes. Enquanto Billie estava prestes a se entregar ao público, eu estava completamente absorta nela.

Quando chegamos à entrada do palco, a adrenalina era quase palpável. Billie segurou minha mão com força, olhando para mim com um sorriso tímido.

— Me deseja sorte?

Eu me aproximei e sussurrei em seu ouvido:

— Você não precisa de sorte. Mas vai lá e arrebenta.

Billie riu, e antes de soltar minha mão, deu um beijo rápido, mas profundo, em meus lábios. Então, virou-se e subiu no palco, onde milhares de pessoas a esperavam.

PeachyOnde histórias criam vida. Descubra agora