Capítulo Vinte e Seis

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Lauren POV

Eu tentei várias vezes parar de olhar aquela vista, mas parecia impossível, pelo menos até alguns segundos atrás, quando Camila ainda não tinha retornado pra sala, ela chegou usando um conjunto de lengerie na cor preta, sem a menor intenção senti meus pulmões pararem de funcionar, é como se o ar que circula ali não soubesse mais qual caminho seguir.

— Se importa que eu fique assim? - Pegou o interfone e levou ao ouvido enquanto cruzava a sala indo até sua bolsa. — Aparentemente meus funcionários acharam que eu não uso roupas em casa.

Assenti, eu não faço a mínima ideia do que Camila falou, mas sei que foi uma pergunta pela expressão em seu rosto esperando que eu falasse, então apenas assenti. Camila sorriu e pegou sua carteira.

— Você pode subir essa encomenda que chegou? - Perguntou e acho que a pessoa do outro lado da linha confirmou.

— Você vai atender a porta assim? - Meu cérebro saiu do transe ao entender a situação.

— É rápido. - Colocou o interfone no lugar. — Normani vai voltar. - Contou sem esconder a felicidade.

— Jura? - Devolvi tão animada quando ela.

— Uhum. - Assentiu. — Não aguentou de saudades minha. - Deu de ombros me fazendo rir.

— Claro, suas. - Fingi concordar.

Normalmente não sou uma pessoa curiosa, mas o fato de ter algum mistério entre Camila e Normani desperta cada molécula de curiosidade presente em meu corpo.

Ao ouvir suaves batidas na porta, Camila foi naquela direção. Antes que o trinco fosse girado por ela, minhas mãos em sua cintura conseguiram puxá-la para trás.

— Fica aqui. - A guiei para trás da porta, mesmo sob seu olhar de repreensão. — Eu atendo. - Me forcei a falar já que me distrai alguns segundos sentindo a pele da minha mão queimar sob a sua, gelada e com cheiro de banho.

— Deus! - Reclamou. — Eu disse que seria rápido. - Tirou uma alguns dólares da carteira e me deu. — Mas tudo bem. - Abriu a porta e pude ver um homem com algumas bolsas, um sorriso cortês, e pelo uniforme julgo que ele seja algo próximo ao porteiro do edifício.

— Boa noite, aqui estão suas compras senhora Cabello. - Me estendeu as bolsas.

Acho que Camila ainda não é conhecida aqui, já que ele pensa que sou ela.

— Obrigada. - Sorri em agradecimento e entreguei o dinheiro ao homem, ele pareceu não entender, até que seu sorriso se abriu um pouco mais que antes e ele pegou os dólares antes de sair.

— Folgada por mandá-lo subir, perdoada por pagar. - Falei assim que a porta se fechou e pude voltar a ver Camila.

— Você faz algo além de julgar minhas ações? - Perguntou antes de pegar as bolsas e seguir para a cozinha.

Me senti arrastada, porque de forma automática eu a segui, meu corpo se recusou a perdê-la de vista; a vista do apartamento não parece mais nada comparado a vista aqui de dentro.

— Faço. - Concordei e ela me olhou enquanto puxava um vinho da sacola. — Agora, por exemplo, estou admirando e talvez invejando sua beleza.

Camila tirou o lacre da garrafa sem desviar o olhar do meu até que um pequeno sorriso teve espaço em seu rosto, ela nada falou, agradeci aquilo, eu não sabia que precisava ver Camila andando de calcinha e sutiã pela casa até vê-la andando de calcinha e sutiã pela casa.

Não pude deixar de reparar quantas portas e gavetas foram abertas, ela claramente não sabe onde encontrar nada, mas com muito custo conseguiu localizar duas taças de vinho antes de voltarmos à sala.

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