Capítulo Dezessete

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Acho que não preciso falar que não fui a Paradise como Camila tinha "pedido", eu nem mencionei sobre isso com Noah, porque sabia que de alguma forma ele conseguiria me levar até lá para proveito próprio da situação. Hoje é Domingo, pra ser mais exata a madrugada do Domingo, estamos eu e o Noah na sala, ele dormiu faz alguns minutos, mas eu continuo passando pelos canais da tv, e só parei com essa atividade sem nexo ao ouvir chaves na porta, inclinei a cabeça pra trás, apenas para confirmar que era Normani ali, ao me ver acordada ela sorriu.

— Sem sono? - Perguntou e eu assenti. — Ótimo, trouxe comida e vou precisar de ajuda pra finalizar. - Ergueu as sacolas.

Não estava com fome, mas resolvi segui-la até a cozinha, apenas para que não fique sozinha.

— Essas suas roupas de trabalho estão cada vez mais curtas. - Mencionei quando ela parou próxima ao balcão, largando as sacolas. — Vou conversar com Camila, ela acha o que? Você é uma moça de família.

Normani gargalhou.

— Não me faça acordar os vizinhos. - Me olhou por cima dos ombros. — De família foi um pouco forçado.

Dei de ombros.

— Certo, pensarei em outro argumento. - Abri o armário e peguei dois pratos.

Enquanto colocava a mesa, Normani abriu as embalagens, e em poucos minutos estávamos sentadas à mesa.

— Camila está puta com você. - Iniciou, com o olhar atento ao meu rosto, como em uma análise para saber se eu estava tranquila pra entrar no assunto "Camila".

— Imagino. - Apoiei as costas na cadeira de uma forma mais confortável. — Ela odeia ser contrariada, o problema é que também odeio receber ordens.

— Hoje ela se apresentou, acho que ela queria que você estivesse na plateia.

— Então que tivesse me convidado igual uma pessoa normal, e não como se fosse minha dona e eu fosse obrigada a acatar suas ordens.

Sim, eu acho mais fácil ir contra uma vontade de Camila quando ela não está na minha frente com aqueles olhos fixos aos meus, me fazendo desconsiderar qualquer coerência que eu deveria ter.

— Vocês estão… ficando? - Serviu seu prato com mais comida.

— Vocês são amigas, ela não te contou? - Devolvi a pergunta.

— Acontece que quero ouvir os dois lados.

— Você me diz o que ela te disse e eu conto as coisas do meu ponto de vista.

Mani riu.

— Não posso falar da minha chefe pra você.

Estreitei os olhos.

— Pare de agir como se fossem apenas isso, eu sei que são amigas, e suspeito que há muito tempo.

— Ela disse que nada acontece entre vocês. - Fez uma pausa, sem desviar o olhar do meu, que demonstra que não acredito em uma palavra que ela disse. — É sério.

Rolei os olhos.

— Você está mentindo, eu já te conheço o suficiente pra perceber isso, Mani… - Me calei, à espera de algum contraponto, nem que fosse para dizer que estou maluca, mas ela levou um garfo de comida a boca, claramente para fugir do diálogo. — Não entendo porque você tenta aparentar que não são amigas… Camila te trata bem, e… - Balancei a cabeça. — Não sei, é confuso, como se tivessem algum segredo a esconder.

— Não pira.

Essa foi a resposta, sucinta, séria, e pouco firme ao meu ver.

Resolvi não insistir, continuei a comer, Normani iniciou um assunto aleatório sobre o restaurante tailandês que ela comprou a comida, fingi interesse nas informações, mas minha mente continuou no mesmo assunto, e nos questionamentos do porquê eu sinto que ela sempre usa poucas palavras quando o assunto é Camila, mesmo que aparentemente se deem bem. Qual é? Nenhuma chefe vem visitar sua funcionária, eu sei que a maioria das visitas de Camila era pra me provocar, mas elas ficavam de fato horas conversando, mesmo que do meu quarto eu não ouvisse do que se tratava.

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