CAPÍTULO 20

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POV RONAN

Estou há oito horas preso em minha sala, montando um esquema com todos os suspeitos, posso ouvir os homens se mexendo e gritando ao redor do complexo, eles estão lacrando o local. Minha forma de lidar com a situação está sendo radical, mas não sou um homem que gosta de esperar enquanto vê tudo pelo que lutou se desfazendo bem a sua frente.

Ele achar que pode usar meus métodos contra mim é de me fazer rir, quão ingênuo e burro a pessoa tem que ser para me subestimar?

Todos que moram nesse complexo são meus suspeitos a partir de agora, mas em especial, meu círculo íntimo. Eles nunca me deram motivo para duvidar de sua lealdade, mas a jogada das moedas foi perigosa. Só eles sabiam da existência delas – os únicos vivos, pelo menos.

Isso quer dizer que a pessoa não quer se esconder. Não, ele quer que eu o ache. 

Filho da puta arrogante.

Irritado além das palavras, olho meu relógio e percebo ser tarde. Passo a mão pelos cabelos em frustração e saio da sala, sabendo que não poderia me forçar a fazer mais nada hoje.

Meus músculos estão tensos e meu corpo está rígido, acho que nem uma bebida poderia me ajudar hoje. Minha cabeça está doendo como uma maldita cadela.

Abro a porta do apartamento esperando ver tudo apagado, mas para minha surpresa está acesso e Noemi está sentada na sala de jantar.

Ao ouvir o clique da porta, sua cabeça vira imediatamente na direção do som. Seus olhos estão brilhando mais ou estou alucinando pelas várias horas de trabalho?

— Você demorou. — seu tom é acusatório.

— Desculpa, te preocupei?

— Não. — ela responde rápido demais, me fazendo levantar o canto da boca em um sorriso mínimo.

Entrando no apartamento, vou direto para o quarto enquanto tiro meu cut e jogo-o em algum canto qualquer. Quando sento na cama e começo a tirar minhas botas, vejo Noemi de pé na soleira da porta pelo olhar periférico.

Hoje ela não está em um daqueles pijamas que a fazem parecer uma freira, é mais curto. Ainda assim, não mostra tanto quanto gostaria.

— O que está acontecendo? — ela questiona. — A tarde inteira tive que ouvir seus homens gritarem coisas e correr de um lado para o outro lá embaixo.

— Estamos entrando em lockdown. — suspiro, passando das botas para tirar a camisa. Ela engole audívelmente.

— O que isso quer dizer?

Levanto meu olhar e encontro-a encostada na porta e girando algo dourado nas mãos. Ela encontrou a moeda.

— Acho que já sabe.

Ela engole em seco.

— Alguém quer te matar.

— Bingo. — zombo, apesar de tudo.

— Mas, por quê? — ela parece confusa.

— Tem que ter um motivo?

Ela me olha exasperada.

Sim.

— Bom, alguém quer meu lugar como Prez, e do mesmo jeito que isso me levou a matar meu pai, é motivo suficiente para me quererem morto.

Vejo-a estremecer. Voltando meu olhar pra baixo, começo a tirar cada lâmina que tenho escondida pelo corpo.

— Você não sairá desse apartamento sem mim a partir de agora, todos são inimigos e devem ser vistos com desconfiança. Estamos sob alerta de possíveis ataques e você será um dos alvos, você mora comigo.

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