Aquele quarto, antes um santuário de sofrimento, agora se tornava um palco silencioso de uma tragédia. O ar, antes carregado de desespero, agora era denso e frio, como se a própria vida tivesse se esvaído junto com o sangue que tingia o chão.
A lâmina, abandonada ao lado do corpo de Jimin, brilhava sob a tênue luz do luar que se infiltrava pelas frestas da janela. Era como uma acusação silenciosa, um lembrete cruel do ato que havia selado o destino do jovem.
Do lado de fora, o mundo seguia seu curso. As estrelas brilhavam no céu noturno, indiferentes à tragédia que se desenrolava dentro daquela casa. O vento sussurrava pelas árvores, levando consigo o cheiro da noite e a promessa de um novo dia.
Mas dentro daquela casa, o tempo havia parado. Jimin, o jovem que antes pulsava com vida, agora jazia imóvel, seu corpo frio e sem vida. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som fraco de sua respiração, que agora se transformava em um sussurro quase imperceptível.
Sua pele, antes rosada e macia, agora era pálida como a neve, o sangue que a tingia um vermelho vivo contrastando com a frieza da morte. Seus olhos, que antes brilhavam com vida, agora estavam fechados, como se estivessem buscando um descanso eterno.
A dor que o assolava por tantos anos finalmente havia cessado, mas a tristeza que a acompanhava era ainda mais profunda, mais opressiva. O demônio que habitava sua mente havia silenciado, mas a culpa e o arrependimento ainda o assombravam, como fantasmas que se recusavam a deixar sua alma em paz.
Em algum lugar, a irmã de Jimin, a brilhante e talentosa Alfa Lúpus, continuava seu caminho, ciente do amor e do orgulho que seus pais sentiam por ela. Mas ela não sabia do sofrimento que se escondia atrás do sorriso forçado de seu irmão, nem da batalha silenciosa que ele travava contra seus próprios demônios.
Ela não sabia que em algum lugar, dentro daquela casa silenciosa, um jovem lutava contra a escuridão, mas que, naquela noite, a escuridão finalmente havia vencido.
Aquele quarto, antes um refúgio de dor, agora se tornava um túmulo, um lembrete cruel do sofrimento que pode destruir até mesmo as almas mais fortes.
O primo de Jimin, com um sorriso falso e condolente, carregou o corpo inerte do jovem até o carro. O caminho até o hospital foi feito em silêncio, quebrado apenas pelo som do motor e pelos soluços abafados do primo.
Ao chegarem no hospital, o primo, com um ar teatral, foi direto para a recepção, anunciando a tragédia com um tom exagerado de pânico.
"Socorro! Meu primo está muito mal! Preciso de ajuda urgente! Ele está... ele está..." A voz do primo falhou, ele fez uma pausa para tentar controlar as lágrimas, que não chegavam a brotar. "Ele está muito fraco! Ele precisa de um médico!"
O olhar do primo, que antes aparentava preocupação genuína, agora brilhava com um ar vitorioso, como se estivesse satisfeito com o drama que estava criando.
O médico, um homem experiente e calmo, ouviu atentamente a descrição dramática do primo, observando a maneira artificial com que ele gesticulava e a forma como suas palavras eram exageradas.
"Calma, jovem," disse o médico, com voz suave, "traga o rapaz para cá. Vamos examiná-lo e fazer o que for necessário."
Enquanto o primo, ainda em estado de falsa agonia, conduzia Jimin para dentro do hospital, o médico observava-o com um olhar penetrante. Ele sentia que havia algo errado, que a história contada pelo primo não batia com o que ele via.
Naquele momento, a mente do médico, acostumada a lidar com as mais diversas situações, começou a tecer uma rede de suspeitas.
"Gostaria de falar com o senhor a sós, por um momento," disse o médico, com um tom firme, enquanto o primo se preparava para acompanhar Jimin até o consultório. "Preciso de mais detalhes sobre o que aconteceu. Por favor, deixe-o aqui por enquanto."
O primo, sem conseguir disfarçar o nervosismo, tentou se esquivar da conversa, mas a autoridade do médico o fez recuar.
"Mas... ele está muito mal! Preciso ficar com ele," o primo protestou, a voz trémula, mas os olhos, antes cheios de drama, agora brilhavam com uma luz estranha.
"Com certeza, mas preciso saber mais sobre o que aconteceu," o médico insistiu. "Para que eu possa fazer o meu trabalho da melhor maneira possível."
O olhar do médico, frio e penetrante, o fez entender que não havia como fugir da conversa. O primo, com a consciência pesada, se viu obrigado a seguir o médico para uma sala reservada.
Aquele momento, em que o médico e o primo se encontravam sozinhos, seria crucial para desvendar a verdade sobre o que havia acontecido com Jimin.
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Entre Sombras E Cicatrizes
Fanfiction"Esta história será centrada em Jikook, em um universo ABO, com Jungkook como alfa e Jimin como ômega. A trama abordará temas pesados, como agressão física e mental, assédio físico e mental, depressão, ansiedade, crises de pânico e automutilação, pr...
