54 - Decisão.

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— Só pode ser brincadeira uma coisa dessas, Beatrice!

— O que está acontecendo pra você estar aos berros desse jeito?

— Me diga você o porquê de eu estar assim!

— Eu lá vou saber! Você já chegou me gritando e nem falou o motivo até agora.

— Pois bem, me explica por que a minha filha não embarcou para os EUA?

— Eu... hum... eu não sei, oras! Você vem perguntar isso logo pra mim? Me responde você por que ela não embarcou! — Ah, você não sabe? Engraçado... não foi você quem a levou ao aeroporto, quando eu tive que ir resolver um problema na empresa?

— Sim, eu a deixei lá. Depois, vim pra casa pegar o Felipe e levá-lo pra aula de futebol.

— Você levou mesmo?

— Sim, levei! Mas que coisa... vai ficar duvidando de mim agora?

— Então me explica por que ela nem sequer pegou o avião?! Eu liguei pras pessoas que seriam responsáveis por recepcioná-la lá e ajudá-la a se instalar, e eles me disseram que ela não chegou. Eu estranhei, fui ver os horários do voo... e ela já deveria estar lá! E você ainda vai se fazer de desentendida!?

— JÁ CHEGA! EU JÁ FALEI QUE NÃO SEI! — disse Beatrice, nervosa, saindo da sala.

Dois dias antes.

Narrador

Natalie estava na casa dos avós desde que terminou o namoro. Muito abalada, passava boa parte do tempo chorando, revendo fotos e se afundando nas lembranças dos momentos felizes com Priscilla. Os avós estavam preocupados, tentavam animá-la de todas as formas, mesmo sem entender ao certo o que havia acontecido — mas nada parecia funcionar.

Naquele momento, Natalie estava sentada na varanda, envolta em uma manta fina, encarando o frio e o silêncio. O avô chegou com uma xícara de chá fumegante, sentou-se ao seu lado e, com um gesto afetuoso, segurou a mão dela, olhando em seus olhos.

— Posso saber o que está acontecendo com a minha princesinha, que anda tão triste?

— Não é nada, vô... só estou com uma dor de cabeça forte. Mas já tomei remédio.

— Tu bem eu sei que não é isso, filha. Se não quiser contar, tudo bem, eu entendo. Mas se quiser, eu tô aqui. Essa carinha e essa tristeza... isso tem a ver com seu namoro?

Bastou ouvir aquilo para que Natalie desabasse. O soluço saiu antes das palavras, e as lágrimas começaram a escorrer silenciosas. O avô a acolheu num abraço caloroso, passando a mão por suas costas e fazendo um leve cafuné, tentando acalmá-la.

— Meu amor... fala pra mim o que aconteceu. Vocês terminaram?

— S-sim... ter... minamos.

— Ei, não chora assim, hum? Vocês são jovens, ainda têm muito a aprender e amadurecer. Logo vocês se entendem e voltam.

— Nós duas não temos mais volta, vô — disse Natalie, voltando a chorar.

— Claro que têm. Se vocês se amam, vão voltar. Pode passar o tempo que for, filha. Eu errei muito no passado com suas mães. Não vi o amor que elas sentiam uma pela outra. Fiz de tudo pra separá-las... e o amor delas só cresceu. Mesmo sua mãe Camille tendo se casado com outro, o amor que ela sentia pela Mariana permaneceu, e no fim, deram um jeito de ficar juntas.

Hoje, eu não me orgulho do que fiz... me arrependo profundamente. Sei que, se não tivesse cometido aquele erro, talvez ela ainda estivesse aqui conosco. Quando descobri seu namoro com a Priscilla, vi tudo se repetir. Me fechei num preconceito idiota. Sua avó tentou abrir meus olhos, mas eu não quis ouvir. Foi preciso ficar longe de você, sentir sua falta, pra perceber o quanto eu estava errado. E aí comecei a ver o amor entre vocês duas como ele é: verdadeiro.

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