52- o termino

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 Ponto de vista: Priscilla

Priscilla acordou cedo naquela manhã. Tinha planos de sair com sua namorada e queria aproveitar cada segundo. Levantou-se, tomou um banho rápido e desceu para o café. Ao se sentar à mesa, cumprimentou a todos que já estavam ali.

— Bom dia! — disse, sorrindo.

— Bom dia! — respondeu Fernanda.

— Bom dia, Priscilla. Dormiu bem? — perguntou Beatrice.

— Dormi muito bem, graças a Deus. E você?

— Também dormi bem.

— Que bom! — respondeu Priscilla.

— Vai fazer alguma coisa agora? — indagou Beatrice.

— Vou sair com a Nat. Por quê?

— Nada não. Só queria saber mesmo.

Antes que pudesse terminar o café, a voz de seu pai cortou o ambiente:

— Priscilla, quero falar com você.

Roberto havia decidido não ir ao trabalho naquele dia. Tinha uma conversa séria e definitiva a ter com a filha sobre seu futuro.

— Agora não é o momento, Roberto — interrompeu Beatrice. — Seja lá o que for, espere ela terminar de comer. Depois vocês conversam com calma, ok?

— Está bem, querida — cedeu ele, voltando ao silêncio.

O café seguiu em relativa harmonia, até que, ao terminarem, Roberto a chamou discretamente para seu escritório.

— O que o senhor quer conversar comigo? — perguntou Priscilla, já desconfiada.

— Espere chegarmos lá dentro. Você logo vai saber — respondeu ele, com a voz firme.

Assim que entraram, Roberto foi direto ao ponto:

— Daqui a três dias, você embarca para a Califórnia.

— O quê? Como assim?!

— Isso mesmo que ouviu. Está tudo pronto. Você começa na filial de lá e, quando as aulas iniciarem em Stanford, já estará estabelecida.

— O senhor decidiu tudo isso... sem me consultar?

— Eu sou seu pai. Não preciso consultar você pra nada. Já esperei demais.

— Pois saiba que eu não vou! O senhor não pode simplesmente tomar decisões assim por mim! É a minha vida, não a sua!

— Eu posso, sim. E já decidi. Você vai, e ponto final.

— Eu não vou, e o senhor não pode me obrigar! — gritou Priscilla, os olhos cheios de lágrimas.

— Posso, sim. E se não for por bem, vai ser do meu jeito.

— Pai, por que está fazendo isso comigo? Minha vida está aqui! Por favor, não faz isso comigo...

— Filha, às vezes precisamos de mudanças. Lá você vai crescer, amadurecer, fazer novas amizades, adquirir experiência. Quanto ao seu namoro... vocês podem manter uma relação à distância. Ou ela pode ir com você. Se for pra ficarem juntas, o destino vai dar um jeito.

— Mas o senhor não entende que eu não quero isso? Que eu não pedi por isso? Que não é o que eu sonhei pra mim?!

— Então o que você sonhou? Vai me dizer que ainda quer ser escritora? Faça-me o favor!

— E se for? Pelo menos estaria fazendo o que eu quero, não sendo obrigada a viver os seus planos!

— Já chega! Você vai, e ponto final. Não se fala mais nisso.

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