Capítulo 51: O julgamento.

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         Um tempo depois.

Faziam semanas desde o pedido de casamento de Laurel. Enquanto ela e Karla se dedicavam aos preparativos da cerimônia marcada para o início de março, Natalie e Priscilla viviam dias mais turbulentos, discutindo com frequência sobre o futuro e a faculdade. Ainda assim, entre altos e baixos, todas se apoiavam mutuamente.

Mas aquele dia em especial não era sobre romance. Era dia de justiça. O julgamento de Otávio Martinez teria início naquela manhã, e as quatro estavam presentes no tribunal. Laurel e Karla se mantinham firmes ao lado das vítimas que representavam, instruindo-as com palavras de coragem e serenidade.

— Vocês não precisam ter medo. A verdade está do nosso lado. Eles vão tentar confundir vocês, desestabilizar, mas lembrem-se: quem deve se envergonhar é ele, não vocês — disse Laurel.

A sala de audiência estava cheia. Familiares, amigos e jornalistas lotavam os bancos. A presença da mídia era massiva. Quando Otávio entrou, o ar pareceu ficar mais pesado. Ele caminhou com arrogância, exibindo um sorrisinho debochado ao olhar para Natalie e depois para Laurel, que permaneceu em silêncio, mas com os olhos faiscando.

As provas foram apresentadas uma a uma: laudos médicos, mensagens, registros de localização, câmeras de segurança. E as vítimas começaram a ser ouvidas. A cada depoimento, a imagem do homem confiante e elegante se desfazia. Mas Otávio mantinha a postura altiva, lançando olhares frios para cada mulher que subia ao banco das testemunhas.

A primeira a depor foi Clara Mendes, uma mulher de 22 anos, professora de música. Ela se sentou, respirou fundo e começou:

— Eu conheci o Otávio em uma festa da prefeitura. Ele parecia encantador. Me elogiava, dizia que admirava mulheres inteligentes. Aceitei sair com ele duas vezes. Na terceira, ele me convidou para jantar na casa dele. Aceitei. Bebi uma taça de vinho, e depois... tudo ficou embaçado. Quando acordei, estava nua na cama dele, e ele me olhava, como se nada tivesse acontecido. Eu perguntei o que houve, e ele apenas disse: "Você foi maravilhosa ontem." Eu não lembrava de nada. Me senti suja, violada. Mas quem ia acreditar em mim? eu só tinha dezenove anos na época, famillia de classe media, e ele de uma famillia rica e com muita influencia, aqui no Rio de Janeiro.

Depois, foi ouvida Juliane Rocha, uma enfermeira de vinte e oito anos.

— No meu caso, ele me dopou no estacionamento do hospital onde eu trabalhava. Disse que queria conversar, que precisava de ajuda emocional. Fui ingênua. Ele colocou algo no meu café. Acordei horas depois em um motel, completamente machucada. Nunca vou esquecer o cheiro do sangue misturado ao perfume dele. Achei que ia morrer.

A terceira vítima foi Bianca Luz, uma jovem de dezenove anos, cabelos castanhos ondulados, estudante de design.

— Ele apareceu na minha aula como palestrante convidado. Era carismático, elogiava meus trabalhos. Disse que queria me ajudar com oportunidades de estágio. Me convidou para jantar em um restaurante elegante. Fiquei lisonjeada. Durante o jantar, ele foi respeitoso, mas insistente. Quando aceitei acompanhá-lo até o carro, senti a cabeça girar. Acordei em um lugar estranho, sem minhas roupas. Eu chorei o tempo inteiro. Ele apenas me mandou embora e disse: "Você foi especial."

A quarta vítima foi Amanda Reis, também de dezenove anos, cabelos longos e pretos, estudante de psicologia.

— Nos conhecemos em uma rede social. Ele dizia que admirava mulheres fortes. Conversamos por semanas até nos encontrarmos pessoalmente. Me buscou em casa, fomos a um bar. Lembro de pouco depois disso. Quando recobrei a consciência, estava em um quarto de hotel, com hematomas e marcas pelo corpo. Ele me deixou lá sozinha, com cem reais na bolsa e um bilhete dizendo: "Foi ótimo." Eu me senti lixo.

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