CAPÍTULO 08

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— Fiz um sanduíche para nós dois, espero que goste

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— Fiz um sanduíche para nós dois, espero que goste. – Entreguei-lhe o sanduíche e um copo com suco de laranja.

— Obrigada. – mordendo um pedaço. – hum...- suspirou e fechou os olhos.

Não preciso nem dizer que tudo que eu vejo nessa mulher é erótico, não é? Não por ela ter trabalhado em um bordel, mas porque ela mexe com tudo que há de promiscuo e delicioso em mim.

— Está uma delícia, nunca comi esse queijo – sorriu – e esse presunto também não.

— Fique a vontade para comer mais. – sorriu – Fico feliz que tenha gostado.

Eu e Dulce comemos em silêncio, enquanto trocávamos olhares disfarçados. Após alguns minutos, peguei seu prato, juntei ao meu e coloquei-os na pia, vendo um bocejado seu, pela visão periférica.

— Está com sono, não é? Não é pra menos, são quase três da manha. Vamos dormir.

Seu silêncio foi como uma afirmativa para mim, enquanto coçava os olhos da mesma forma que coçou quando saiu do carro. Fui até o quarto, peguei um travesseiro e um lençol, voltando para a sala, encontrei Dulce sentada em um dos sofás, olhando para o horizonte, ela realmente deveria estar com sono. Coloquei o travesseiro no sofá, e abrir o lençol.

— Dulce. – a toquei. – já desocupei o quarto, você pode ir.

— Como assim? – Ela franziu o cenho.

— É, já desocupei, você pode ir dormir. Está cansada.

— Mas eu vou dormir aqui na sala. – Apontou para o travesseiro e o lençol disposto no outro sofá.

— Não. – sorri – isso é pra mim e não pra você.

— Christopher, não faz sentido. É sua casa, seu quarto, me recuso.

— Não precisa me chamar pelo nome completo. – ri – Só Chris já está ótimo. E sim, faz todo sentido. Vamos. – puxei-a, levantando-a – a cama te espera. – A levei para o quarto sob seus protestos.

— Me recuso a dormir aqui, e você dormir no sofá!

— E o que propõe? Não vou deixar você dormir no sofá. O quarto de hospedes está sendo montado e a cama e o colchão chegará em breve, mas ainda sim, a opção de lá é o chão.

— Você já me deu provas suficientes de que não me trouxe aqui para um programa, Chris.

A olhei e sorri ao vê-la me chamar assim pela primeira vez, e ela retribuiu, embora eu não soubesse se ela sabia o porquê de eu está sorrindo.

— Durma na cama comigo, então. Se você não se importar, é claro.

— Com certeza não!

Nós dois não nos importaríamos, só não disse quem era nós.

— Não me sentirei bem o tirando da sua cama. Agora eu que estou te pedindo.

— Seu pedido é uma ordem. Vou pegar o travesseiro e o lençol.

Voltei para a sala, fazendo uma anotação mental de não a tocar, mas a quem eu estava querendo enganar? Tudo que eu mais queria era fazer muito mais que a tocar. Peguei meus objetos e voltei para o quarto. E pasmem, Dulce combina muito bem deitada na minha cama, embora esteja encolhida, quase caindo da king size. Desliguei as luzes, e liguei o abajur no canto do quarto, fechei as janelas e as cortinas, deixei o quarto a meia luz e me deitei ao seu lado, embora muito distante, já que Dulce brigava e ponderava se cairia do colchão ou não.

— Dulce, não precisa ir para o canto da cama, se não estiver confortável comigo aqui, juro que não há problemas em ir para o sofá.

— Não é nada disso, Chris. E é Dul.

Sorri.

— Dul. – deixei a palavra tamborilar pela minha língua.

— Não foi minha intensão. Só não queria incomodar mesmo.

— Ok, você está incomodando ai tão longe. – ri. – vem mais pra cá! –

Puxei Dulce com delicadeza, e ela deslizou sobre os lençóis, parando colada em meu peito. Esperei mais uma vez, sua saída, mas não houve. Então mesmo sem pedir licença, a encaixei em meu corpo, nos deixando em posição de conchinha, e passei meu braço sobre sua barriga, abraçando-a. Deixe meu nariz mergulhar em seus cabelos, enquanto sentia seu perfume natural. Dulce passou a mão sobre meu braço e suspirou. Meu pau? Kkkkkkkkkk não vou nem comentar, espero que ela não se importe.

— Chris?

— Hum.

— Obrigada mais uma vez por tudo.

— Não precisa me agradecer! Está tudo bem.

— Sério!

Dulce virou tirando-me da minha confortável conchinha.

— Espero que um dia eu possa retribuir todo seu ato. Eu não sei o que seria de mim nessa exata hora se eu tivesse que ir para a cama com aquele ou qualquer velho que seja. – Dulce revirou os olhos.

— Eu queria entender muitas coisas, Dul. – Acariciei seu rosto por várias vezes consecutivas. – mas não sei se tenho direito a tantas perguntas.

— Comece perguntando. – Dulce sorriu.

— Bem, a princípio queria entender como você caiu naquele bordel, é nítido como você não é prostituta, e mais ainda o quanto é arisca com os clientes dali.

— É uma longa história, de fato. – suspirou – mas quero que entenda que não foi de livre e espontânea vontade, era aquilo, ou passar fome. Em resumo, quando meus pais morreram, sofri um golpe do meu tio, ele me levou toda herança e como eu não havia feito ensino superior como minha mãe insistiu, não consegui emprego de nível médio, sendo assim, o único lugar que me abriu as portas foram a La Boutiq. Mas de fato, nunca fiz programa algum, Mai me ajudou a ser penas brancas por vários anos, porém hoje, não consegui me desvencilhar das negras. Cristovão, dono da boate, ameaçou a mim e ao emprego da Maite, não achei justo prejudica-la.

— Filho da puta!

— E o resto você já sabe. Não quero mais tocar nesse assunto, Chris. Por favor, não mais hoje.

— Tudo bem. – sorri- Não quero que você fique triste ou irritada. – Hoje quero que você descanse. 

Give Me You - VONDYOnde histórias criam vida. Descubra agora