Dedicado para Lari!
Boa leitura!
33 - Dança dos vivos
Neil estava habituado a viver dentro de hospitais.
O fato de Stuart decidir sempre ser médico, em qualquer lugar que eles decidissem morar era algo que fazia parte da realidade.
Ainda assim, era estranho estar ali por causa de alguém além da família – alguém que logo também faria parte dela.
Desde o momento da internação de Andrew, haviam decidido que ele ficaria pelo menos mais dois dias ali, em observação devido à quantidade de ferimentos.
Ninguém tentou tirar Neil do quarto, Stuart havia garantido que ele pudesse estar sempre ali com Andrew.
Wymack e Kevin apareceram, e passaram o maior tempo que podiam com ele, e aproveitaram para convencer Neil a ir para casa por algumas horas para se alimentar e tomar banho.
O ruivo cedeu ao pedido, não poderia se dar ao luxo das pessoas perceberem que ele não se alimentava de forma convencional, mas voltou depressa para passar a noite com Andrew.
Ainda era surreal pensar em tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, no embate com os Moriyamas, na morte de seu pai.
Agora ele era o responsável direto pela morte de ambos, sua mãe e pai. Em dois momentos extremos e caóticos. Ele não pensava muito sobre Mary, afinal haviam se passado milhares de anos.
Mas era inevitável ao lembrar do som do crânio de Nathan rachando entre seus dedos.
Neil nunca soube que era tão fácil matar outra pessoa. Que era tão simples, e que tudo o que precisava era que alguém simplesmente cogitasse ferir seu Andrew.
– Seus irmãos mencionaram algo sobre o Masserati ser meu.
Neil saiu dos devaneios, olhando para Andrew. Ele estava lutando contra a possibilidade de ficar dormindo o tempo todo, embora estivesse sempre pegando no sono de tempos em tempos.
– Ele é – respondeu com simplicidade, e fez um movimento de descaso com os ombros.
– Você nunca se lembrou de mencionar isso – ele insistiu, com os olhos presos nos azuis, ainda tentando processar que aquela pessoa que ele sempre enxergou como inofensiva, realmente tinha características como as que ele fez questão de avisar Andrew, meses atrás quando se conheceram.
Existiam instintos assassinos. Havia um monstro.
Ele não estava exagerando ou mentindo quando dizia que não fazia ideia do que fazer caso lhe perdesse. Não era apenas uma estupidez de alguém apaixonado.
Neil realmente vagaria pelo mundo sem consciência se algo acontecesse a Andrew, simplesmente porque embora fosse imortal, indestrutível, forte e rápido, não havia nenhum tipo de dom que o tornasse imune a Canção da Morte.
Andrew sempre teve os sentidos apurados sobre o assunto. Lhe incomodava pensar que havia algo na natureza de Neil que o impulsionava em sua direção. Algo que o tirava a liberdade de escolher Andrew, simplesmente por lhe querer.
Mas após os últimos acontecimentos, ele tinha uma visão diferente. Agora, sabendo que algo em sua existência puxava Neil em sua direção, ele se sentia plenamente no controle.
E, é claro, conseguir acessar o que quer que fosse aquilo entre eles era algo que amansava toda a irritação que pudesse sentir.
Ele ainda estava tentando aperfeiçoar e tornar aquilo mais sutil. Mas todas as vezes que se concentrava, mesmo com Neil longe, ele descobria algo como uma saída de emergência. Algo que queimava, e doía. Mas atrás dessa queimação e dessa dor, ele conseguia acessar Neil e aquela ligação entre eles.
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Canção da Morte || ANDREIL
FanfikceNeil Josten jamais deveria ter cedido; Quando percebeu que a pura existência de Andrew colocava a si, e sua família em risco, deveria ter sido maduro o suficiente para resolver aquilo da maneira mais simples. Era imortal, e a imortalidade deveria si...
