AMOR INESPERADO
CAP : 106
《...》
Guarda — Lorena Hogaza, filha de Luciana certo? — o guarda perguntou.
Lorena — Sim, sou eu. — Lorena respondeu, com a voz tremendo. — O que aconteceu com minha mãe? Eu preciso ver ela.
Guarda — Me acompanhe, por favor. Eu vou levar vocês até o Necrotério.
O guarda, sem mais palavras, as conduziu por corredores frios e apertados até a área reservada. Kiara estava ao seu lado, tensa e preocupada com a amiga. A penitenciária tinha uma atmosfera pesada, e o eco dos passos parecia aumentar a sensação de desconforto. Finalmente, chegaram ao necrotério. O guarda fez um gesto com a mão, indicando que Lorena e Kiara poderiam entrar.
Ao adentrar, Lorena viu seu pai, Alessandro, em pé perto de uma maca, com a cabeça baixa. O rosto de Alessandro estava marcado pela dor, mas ao perceber a presença de Lorena, ele levantou os olhos. O olhar entre eles foi carregado de um ódio mudo, uma tensão não resolvida que se arrastava há anos. Mas nada parecia importar agora.
Lorena sentiu um vazio no peito e, ao olhar para a maca, a visão a fez paralisar. O corpo de sua mãe estava coberto com um lençol branco, a única coisa visível eram as mãos pálidas que pareciam inertes, como se fossem feitas de pedra.
Ela se aproximou, os pés pesados, o coração batendo forte, e, com uma dor imensa, retirou as mãos do lençol e beijou delicadamente as palmas de sua mãe. O choro começou suave, quase contido, mas logo se transformou em um soluço profundo. Não conseguia mais segurar a dor. Ela não podia acreditar que estava vendo sua mãe ali, naquele estado.
Lorena — Mãe... — Lorena sussurrou, entre lágrimas, a voz quebrada. — Eu não pude fazer nada. Me perdoa, por favor.
As lágrimas rolavam sem controle, e o desespero de Lorena era visível. Ela se inclinou ainda mais sobre o corpo, desejando poder sentir um último toque, uma última despedida.
Kiara, vendo a cena, se aproximou, tentando amparar Lorena, que estava completamente tomada pelo lamento.
Kiara — Lorena, calma. Você precisa se controlar, você precisa respirar. — Kiara falou suavemente, tentando acalmá-la, mas a dor era mais forte que qualquer palavra.
Lorena não conseguia parar de chorar. Ela estava perdida, devastada, e sentia um vazio imenso, como se tivesse perdido o pedaço mais importante de si mesma. Quando a intensidade das lágrimas começou a afetar sua respiração, o guarda, percebendo que ela estava começando a passar mal, se aproximou rapidamente.
Superior — Calma, Lorena. — disse o supeior com um tom autoritário, mas preocupado. — Vamos te ajudar. Respira fundo.
Com a ajuda de Kiara, Lorena foi encaminhada para uma cadeira. O superior então trouxe um remédio e ofereceu a ela.
Superior — Isso vai te ajudar. Tente tomar um pouco de água e se acalmar, ok?
Lorena engoliu o remédio sem protestar, e logo o corpo foi se acalmando aos poucos. As lágrimas continuavam a escorrer, mas a dor era mais contida, pelo menos por enquanto. O guarda observou em silêncio, esperando que ela pudesse reagir, antes de fazer a pergunta difícil.
Superior — Lorena, sobre o corpo de sua mãe... O que você deseja fazer com ele? Como devemos proceder?
Lorena olhou para a mãe pela última vez, e com uma voz mais firme, apesar da dor, respondeu:
Lorena — Eu quero que cremem o corpo dela. Quero as cinzas dela, para nunca me sentir longe dela. Por favor... me dê as cinzas da minha mãe.
Alessandro, que até então estava quieto, se aproximou de Lorena e, com um tom firme e dolorido, falou:
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AMOR INESPERADO
Fanfiction{CONCLUIDA} Lucero sempre acreditou no amor, mas sua fé foi abalada quando foi abandonada grávida por Victor. Sozinha, ela lutou por cinco anos para criar sua filha, Luíza. Decidida a recomeçar, muda-se para a capital com sua irmã, Lorena. Fernando...
