Ah, essa alternância temporal de todas tardes,
quem sabe sejam as músicas, a saudade ou a realidade,
minha cabeça como um emaranhado de sentimentos,
onde a tristeza, o ódio e a felicidade se encontram,
em uma luta eterna, a disputa pela verdade.
Linhas afiadas e vermelhas se enrolam sobre meu coração, mente e corpo,
cada vez mais apertadas, me deslizam para outras realidades,
preencho o vácuo com a busca da sensação,
do momento em que se tornamos um só,
em uma calçada qualquer,
em um restaurante, com todos os pratos e mesas destruídos,
onde não há mais nada para se desejar,
me encontro sentado no mesmo lugar,
admirando a beleza de artes
que já não existem mais.
Amei tanto este lugar,
que manter a fome que sinto,
é a única forma de continuar
o sentindo.
Me alimento de memórias que questiono a veracidade,
e sinto coisas, que gostaria que não fossem verdades,
sentimentos inextricáveis,
percorrem pelo emaranhado interminável de circuitos em meu cérebro.
