Capítulo 57

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Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh Todos os direitos da obra vão para ela.

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-«-«- Todos por Zero -»-»-

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Tinha reinado silêncio pelo intercomunicador desde que a voz de Neteyam surgira, chamando pela irmã - a mesma voz que o garoto, do outro lado das águas, esperava ouvir invadindo as ondas de rádio.

Ao'nung havia ficado. Esperado pela garota que prometera voltar para encontrar o caminho de regresso, mas tudo o que fazia era continuar parado, em prontidão, como um cão de guarda.

Podia assistir à guerra na qual a pessoa por quem seu coração batia nervoso havia se lançado - e assim tivera a visão do Tulkun rebelde destruindo metade das máquinas de metal que atacavam das águas.

Não havia microfone preso ao pescoço que lhe permitisse participar da conversa, e por isso permanecia às cegas em relação a tudo.

Sozinho sobre a rocha, não lhe restava nada além de esperar e pensar. Refletir sobre qualquer coisa que pudesse fazer, em vez de simplesmente não fazer absolutamente nada.

At'anau temia cada segundo em que deixava o irmão segui-la na escuridão. Desejava o céu acima de si e o ar fresco que poderia respirar ao retornar às ilhas dos Metkayina com seu povo.

Em vez disso, continuava cerrando os dentes, mantendo o foco onde precisava estar.

Os dois irmãos seguiam a irmã até a ponte, onde os guardas tinham - ou ainda estavam - escoltando o garoto humano.

Silenciosos, na ponta dos pés, os três de pele escura se fundiam às sombras pesadas que pairavam no teto. A luz amarela giratória que circulava tornava tudo tão caótico quanto soava.

Com um pé à frente do outro, os três se aproximaram rapidamente das áreas mais cheias, e a garota mantinha os olhos apenas nos demônios abaixo deles, enquanto caminhavam sobre as traves da estrutura da nave.

Lo'ak observava a parte de trás da cabeça da irmã. A trança dela se movia em sincronia com a cauda, que mantinha seu equilíbrio nas alturas.

Antes que pudesse colidir com as costas dela, Neteyam conteve o irmão para que não avançasse.

Ao olhar para trás, Lo'ak viu o irmão mais velho congelar, olhos fixos no chão sob eles, e sem mover a cabeça, fez o mesmo.

- Anda! Anda!

Soldados armados, cercados por guardas e outras pessoas que não pareciam ser os responsáveis por buscar ou preparar café, passaram logo abaixo deles.

- Evacuando! Vamos, gente, andem!

Eles permaneceram despercebidos, sem emitir sequer um rangido.

Quando a multidão passou, os garotos esperaram a irmã continuar, fitando a parte de trás de sua cabeça enquanto ela permanecia firme, alheia à adrenalina que corria em suas veias, olhando apenas para frente e recuperando a compostura.

A garota tornou a olhar do alto, localizando a ponte para onde o garoto seria levado.

Logo, o espaço entre o teto e as barras por onde caminhavam se estreitou e foi interrompido.

Bastaria um pequeno salto para alcançar a parte inferior dos canos de ar vermelhos, mas seria necessária muita força muscular para se moverem de cabeça para baixo.

A garota lançou o olhar para os cilindros acima deles antes de virar o rosto por sobre o ombro. Perdeu o olhar ansioso de Lo'ak e encontrou apenas o olhar fixo do irmão mais velho.

Through the Valley¹ | Ao'nungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora