Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.
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-«-«- Para Saber Quando -»-»-
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At’anau não percebeu os olhares desconfiados dos três garotos quando avançaram além dos recifes. A noite estava escura, as águas desconhecidas, e ninguém sabia a que profundidade estavam prestes a descer. Logo, os três que a seguiam começaram a questionar se confiar a liderança a ela tinha sido uma decisão sábia.
At’anau acelerou o passo, quase ansiosa por alcançar os destroços afundados. No fundo, não era pressa pelo objetivo em si, mas a necessidade de encerrar aquilo de uma vez, descansar, talvez até tentar se reconciliar com a perda de seu mentor. Encontrar Ateyo era um propósito comum, conhecido por todas as crianças da aldeia. Mas a segunda busca que At’anau havia anunciado — essa, sim, a deixava em dúvida.
Quando encontrassem Ateyo, o trariam de volta à terra, dariam-lhe um enterro digno dos Metkayina e seguiriam em frente. Mas, para ser honesta, At’anau não sabia se desejava retornar tão rápido à terra firme que a aguardava.
Ali estavam seu irmão mais novo, Kiri e Tuk, que ainda precisavam dela. E também Spider, cuja vida fora preservada à custa da do irmão.
Se não fosse pela certeza da morte do assassino, ela jamais encontraria paz convivendo com o fato de que o humano ainda respirava.
Mesmo assim, frequentemente lutava contra os sussurros da descrença. Ele tinha que ter morrido. O navio explodira, inundara. A família Sully mal escapara — apenas alguns conseguiram. As chances não eram nulas, mas At’anau precisava se agarrar à ideia de que eram suficientes. Precisava acreditar, mesmo sem ter visto.
Neteyam havia morrido salvando o filho do homem que o matou. At’anau se perguntava, vezes e vezes, como ainda conseguia viver sem ter certeza absoluta do fim dele.
— Chegamos.
A voz a arrancou de seus pensamentos. Era o mais velho dos meninos, cujo nome ela ainda não sabia. At’anau seguiu seu olhar para as águas escuras abaixo.
Quase zombou. O abismo sob seus pés era desconhecido, sombrio e perigoso. Ainda assim, ela permaneceu firme. Meses atrás, teria tremido de medo, cerrado os dentes até sangrar as gengivas. Mas agora, depois de tudo o que acontecera, não sentiu sequer a necessidade de questionar. Apenas se preparou para descer.
— Ao’nung. — O nome, tão bonito em sua língua, foi cuspido com veneno. Ele ergueu o rosto de imediato. — Com Rotxo. — Ele tentou intervir, mas At’anau o silenciou com o olhar. — A sala de interrogatório. Eu mesma os levarei até lá. — Pausou apenas um segundo, mas todos sabiam que ainda não tinha terminado. As palavras permaneceram em sua língua antes de saírem, frias: — O resto é com vocês.
O mais jovem olhou para o filho do chefe, sem questionar, mas com uma emoção contida. Nenhum dos três compreendia por que At’anau estava preparando algo para que eles resolvessem, mas Rotxo não hesitou. Parecia confiar que ela tinha seus motivos.
A verdade era que At’anau duvidava de si mesma. Não sabia se teria forças para voltar ao quarto onde quase morrera — e encarar o homem que recebera o golpe em seu lugar.
— Eu também vou. — A voz veio do garoto de cabelos cacheados. Seus olhos ainda guardavam dúvida, mas a determinação era mais forte. Ele parecia esperar pela permissão dela. — Eu o conhecia… muito antes.
At’anau manteve-se indiferente. Mas, ao piscar, entendeu. Ateyo nunca falara sobre família, e aquele garoto não parecia um parente de sangue. Ainda assim, a ligação entre eles devia ser mais antiga do que qualquer laço que ela mesma tivera em Awa’atlu.
— Entendo. — murmurou, baixando o olhar, até que outra voz cortou o ar:
— Seja rápido.
— Por que você não—
— Nós vamos. — Ao’nung interrompeu de forma seca. O garoto de cachos respirou fundo, entendendo a deixa.
Ele acenou para At’anau antes de apertar as rédeas, inspirar, expirar e acalmar os nervos. Foi o primeiro a mergulhar.
Rotxo o seguiu logo depois, ajeitando o ilu de respiração quando alcançou um.
Por um instante, At’anau pensou que Ao’nung não partiria, mas os sons ondulantes da água logo a alcançaram.
Restava a ela inspirar e expirar. Não para treinar o mergulho — mas para se preparar mentalmente para o que teria de enfrentar outra vez.
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Through the Valley¹ | Ao'nung
FanfictionNão há dúvidas de que os laços pessoais entre gêmeos podem ser fortes, mas não há evidências de que esse vínculo seja algo misterioso ou inexplicável. Se ao menos um soubesse a dor que causaria um ao outro quando essa conexão se partisse. Os Na'vi d...
