Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.
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-«-«- Humilde -»-»-
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At'anau movia-se pela vila como um espectro, com passos silenciosos contra a areia. O ar da noite era espesso, salgado pela salmoura do oceano, mas ainda assim parecia sufocante. Ela não sabia para onde estava indo, apenas que precisava se mover, colocar distância entre ela e o silêncio pesado da tenda, as acusações não ditas pairando no ar como uma segunda pele.
As ondas batiam na costa, indiferentes ao seu tumulto. Ela ficou na beira da água, observando o reflexo da lua ondular e quebrar sob a maré. Seu peito se agitou enquanto ela tentava estabilizar a respiração, mas não adiantou. Ela quis dizer cada palavra que disse, mas isso não significa que eles não a machucaram tão profundamente quanto fizeram com os outros.
O rosto de Spider a assombrava mais. A maneira como seus olhos azuis se desviaram, como se procurassem uma fuga. A maneira como Kiri o protegeu imediatamente, como se as palavras de At'anau fossem flechas destinadas a perfurar suas já frágeis defesas. E talvez tivessem sido.
Ela exalou bruscamente, cravando as unhas nas palmas das mãos. Ela não odiava Spider. Ela nem o culpava. Não mesmo. Mas ela não podia ignorar a verdade: não importava o quanto ele tivesse lutado por sua família, parte dele ainda estava ligada a Quaritch. E se houvesse a menor chance de que o demônio ainda estivesse por aí, ela não ficaria parada e deixaria a história se repetir.
De repente, interrompendo seus pensamentos, At'anau notou uma sombra familiar se mover atrás de si.
— Eu pensei que você tivesse concordado em esperar até de manhã.
Ela não se encolheu com a voz de Ao'nung, nem com a desaprovação silenciosa nela contida. Ele estava parado a alguns metros de distância, com os braços cruzados e seus olhos penetrantes a avaliando como se já soubesse o que ela estava pensando.
At'anau cerrou o maxilar.
— Sim.
Ao'nung deu um passo calculado para mais perto.
— Mas você está pensando em ir agora. — Não era uma pergunta. Era uma observação. Uma observação certeira.
Ela deixou o silêncio se estender entre eles, sem confirmar nem negar. O vento chicoteava seus cabelos, batendo em suas tranças e carregando o cheiro de sal e terra úmida.
Ao'nung suspirou, esfregando a nuca.
— Você não confia que eles levarão isso a sério!
Ela voltou o olhar para ele, finalmente encontrando seus olhos.
— Você confia?
Ele sustentou o olhar dela, inabalável.
— Eu confio nos meus instintos. E agora, eles estão me dizendo que você precisa respirar.
Seus lábios se apertaram em uma linha fina. Ela não queria ouvir isso. Não queria que lhe dissessem para parar, esperar, não fazer nada. Mas também não podia negar a exaustão que se espalhava por seus membros e a forma como seu corpo doía com o peso de tudo o que carregava.
Ao'nung deve ter visto a hesitação em sua postura, porque sua expressão se suavizou, apenas um pouco.
— Iremos ao amanhecer. Como prometido.
Uma parte dela queria resistir, empurrá-lo e mergulhar na noite, independentemente de seus protestos. Mas outra parte dela — a parte que estava cansada demais para continuar lutando — assentiu.
Ao'nung a estudou por mais um momento antes de recuar, dando-lhe espaço.
— Tente descansar um pouco.
Ela zombou, mais de si mesma do que dele. Descansar. Como se isso fosse uma opção. Como se dormir lhe trouxesse qualquer coisa além de mais fantasmas.
Ainda assim, ela se virou da água, passando por ele sem dizer mais nada. Ela podia sentir o olhar dele pousado em suas costas, carregado com coisas não ditas.
Ela caminhou até que o mundo se tornou um borrão em uma massa mutável de sombras e cores opacas. Seu corpo, ainda tremendo com o peso da noite, a carregou para frente apenas por instinto. O chão sob seus pés se transformou de terra em rocha, e penhascos irregulares se erguendo de cada lado, um berço natural de pedra onde ninguém a encontraria.
Aqui, o vento uivava pela passagem estreita, mas era algo distante, oco e triste. Combinava com ela.
Ela se sentou, a coluna pressionada contra a pedra fria, os braços envolvendo os joelhos, mas o descanso não vinha. Os fantasmas da noite se agarravam à sua pele, seus sussurros persistindo além do véu do silêncio.
Ela exalou, lenta e moderadamente. Sua mão foi até a bolsa em seu cinto, os dedos se fechando em torno de algo macio, delicado. Folhas, secas e amassadas apenas o suficiente para liberar seu aroma; uma fragrância amarga, quase melosa.
Um hábito. Uma necessidade.
Ela não pensou muito nisso. Não se permitiu. Assim como fizera na noite anterior. Assim como faria amanhã. A planta tinha um nome, mas ela nunca o pronunciava. Não havia necessidade
Ela beliscou um pedaço entre os dedos e levou aos lábios, pressionando-o contra as gengivas, onde se infiltraria em seu sangue, suavizando as bordas de sua realidade até que se suavizassem em algo que ela pudesse suportar. Não a curaria. Nada curaria. Mas faria a noite passar.
Sua cabeça se inclinou para trás contra a rocha enquanto o calor se espalhava por seus membros, lento e espesso como mel. A dor diminuiu, os pensamentos corrosivos se suavizaram em algo distante, administrável. Dormir não era paz, mas era perto o suficiente.
Enquanto os penhascos a embalavam em seu abraço frio, seus cílios se fecharam. As estrelas acima se borraram em um brilho suave e, por algumas horas, ela não teria que sentir. Não completamente.
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Through the Valley¹ | Ao'nung
FanfictionNão há dúvidas de que os laços pessoais entre gêmeos podem ser fortes, mas não há evidências de que esse vínculo seja algo misterioso ou inexplicável. Se ao menos um soubesse a dor que causaria um ao outro quando essa conexão se partisse. Os Na'vi d...
