Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.
°•.❃.•°
-«-«- Minha Responsabilidade -»-»-
≪ °❇° ≫
As noites eram silenciosas. A família era lembrada todos os dias do membro que perderam — e eram forçados a assistir à filha se perder no processo.
At’anau estava alienada de um mundo sem o irmão e sufocada pelo silêncio ao redor.
Os dias seguiam monótonos, com a família ainda de luto pelo menino que se foi — e pela menina que estavam perdendo.
Sem dúvida, todos os irmãos foram afetados pela perda do primogênito. Lo’ak, atormentado pelos próprios erros, tinha noites de suores frios.
E o garoto humano assumia a culpa por tudo. Spider quase podia ouvir os pensamentos da família e não sabia como agradecer por eles não dizerem a verdade em voz alta.
Fazia apenas alguns dias desde a guerra, mas At’anau não parecia ter a mesma pressa de descansar que os outros se permitiram. As feridas abertas ao longo da jornada não tiveram tempo de cicatrizar. Nem os pais tiveram tempo para ela — logo perceberam que a garota não ficaria em casa por mais do que alguns instantes.
Não havia razão para aquela negligência. Ela simplesmente queria ser deixada em paz. Não tinha tempo para luto nem para orações a uma Grande Mãe que não respondia. Não conseguia suportar ver as emoções da aldeia em relação à “Garota da Floresta” que havia falhado em proteger sua família.
Ela também não queria enfrentar Ao’nung, filho do chefe, e lidar com a piedade que seria a única coisa que poderiam lhe oferecer.
At’anau refletia sobre o próprio comportamento, sobre o futuro e sobre o dia em que o fogo frio e branco em seu coração se extinguiria. Também pensava nas muitas coisas indizíveis que teria de fazer até lá.
A fênix em sua mente alimentava o ódio que crescia a cada dia. Sem orientação, o fogo queimava sua pele e intoxicava seus pulmões.
Todos os dias, a areia da praia a esperava — e todos os dias ela a sentia igualmente fria, puxando-a de volta para a realidade.
A brisa salgada passava por suas tranças, por trás das orelhas e pelas bochechas, gelando as manchas úmidas de lágrimas que ainda cobriam sua pele.
Ela se sentava e ficava horas olhando além das águas, em meio ao silêncio ensurdecedor. Só desejava uma coisa: ouvir a voz do irmão preenchendo aquele vazio.
At’anau tentava afastar os pensamentos — de verdade, tentava — mas, se não pensava no gêmeo perdido, sua mente voltava para o caçador, soldado e amigo que abandonara nas profundezas do mar. Ele ainda descansava lá, esperando por um enterro.
Ela não encontrou ninguém que chorasse por Ateyo em particular. Nunca o vira com filhos ou parceiro, e logo descobriu que ele não tinha.
Ateyo foi apenas um guerreiro leal dos Metkayina, e não havia ninguém que carregasse sua história adiante.
Ninguém para enterrar seu corpo. Ninguém para lamentar sua morte.
Será que ela conseguiria viver com isso? Precisava mesmo? Havia de existir algo que pudesse fazer para honrar o homem que salvara sua vida e pagara com a dele.
At’anau suspirou baixo ao sentir alguém se aproximar. Perguntava-se quando, afinal, as pessoas desistiriam de tentar. Quando aceitariam que não havia como falar com ela. Que metade dela já estava com os ancestrais.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Through the Valley¹ | Ao'nung
FanfictionNão há dúvidas de que os laços pessoais entre gêmeos podem ser fortes, mas não há evidências de que esse vínculo seja algo misterioso ou inexplicável. Se ao menos um soubesse a dor que causaria um ao outro quando essa conexão se partisse. Os Na'vi d...
