Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.
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-«-«- Através ds Olhos de Eywa -»-»-
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>>>7 atemporais anos atrás <<<<
As folhas farfalhavam na brisa calma do vento. Pássaros nos galhos cantavam suas canções enquanto observavam as crianças em disputa.
—Neteyam, nosso desbravador, abram caminho! Abram caminho!
Animais aninhados entre as folhas verdes que a menina golpeava vigorosamente no ar se espalharam às pressas.
A voz da menina ecoou pela floresta enquanto ela segurava o bastão no alto, acenando para as folhas que caíam no caminho do irmão.
O menino suspirou, mantendo a cabeça erguida enquanto revirava os olhos ao ouvir o tom zombeteiro da irmã.
Com as folhas imaginadas como pessoas em seu caminho, a garota endireitou as costas, manteve o queixo erguido e pôs as duas mãos atrás das costas, como um guarda abrindo caminho para seu rei.
—Por favor, nos diga —a garota se curvou e estendeu as mãos para a estrada, que se dividia em várias direções para o garoto escolher a correta —no caminho.
Segundos de silêncio se seguiram e At'anau se cansou do ato; vagou ao redor do irmão, inspecionando o chão enquanto o deixava procurar o caminho para casa, aquele com que ela estava familiarizada.
—Eu sinto que é uma pergunta capciosa.
—Eu sinto que você nos perdeu.
—Não.
A garota suspirou, interrompendo os desenhos que cavara na terra sob os pés antes de jogar o material no solo e olhar para o céu ainda claro.
—O tempo está se esgotando, irmão —deixou as mãos caírem ao lado do corpo—. O eclipse estará sobre nós em breve.
Neteyam franziu a testa e engoliu um suspiro de frustração enquanto observava o fim de cada caminho bifurcado pela floresta. O garoto sabia que a irmã conhecia o caminho certo para casa. Era apenas o orgulho de assumir uma grande responsabilidade que o impedia de seguir as ordens dela.
—Você está me distraindo.
O silêncio que se seguiu fez-o franzir ainda mais a testa; esperava apenas um comentário mesquinho, mas, em vez disso, parecia que a garota não havia ouvido. Com um giro, o menino se virou procurando a irmã no chão e, por uma fração de segundo, seus olhos examinaram a área freneticamente antes de subirem para as árvores.
Seus ombros tensos relaxaram quando viu a garota escalando o tronco grosso como um macaco canhoto recém-nascido.
—O que você está fazendo?
Foram ouvidos apenas pequenos grunhidos da garota se esforçando enquanto subia mais alto pelos galhos. Com o rabo, ela balançou o corpo até a parte superior e, com os braços pequenos, porém musculosos, puxou-se para a base do galho.
Mantendo o equilíbrio, o menino a observou chegar à ponta do galho e, pela maneira como a ponta da língua surgia entre os cantos da boca, percebeu que ela tinha algo em mente.
Com um rápido movimento entre as folhas farfalhantes, a menina bufou e precisou envolver a outra mão em torno de um objeto obviamente grande demais para ela.
—Venha aqui! —Neteyam saiu do transe, ignorando os resmungos da menina sobre sua incompetência e falta de utilidade por simplesmente ficar parado ali.
—Largue isso e eu literalmente—
—Eu literalmente não me importo —o menino a interrompeu, estendendo as mãos ao avistar a fruta-dos-monges de cores vivas que a irmã segurava entre os dedos finos—. Vá.
At'anau tentou mirar nas mãos do menino o melhor que pôde, mas acabou deixando o objeto escapar quando não conseguiu mais segurá-lo; observou-o diminuir de tamanho na queda até pousar nos braços firmes do menino.
At'anau observou a figura do menino curvar-se e ficou em silêncio antes que ele se endireitasse e erguesse a fruta, do tamanho de sua cabeça, acima dela, comemorando alto —seguido pelas risadas da irmã.
Eles ainda tinham luz suficiente do dia para devorar o doce refresco ali mesmo e sabiam que nenhum dos dois pretendia levar nada para casa para compartilhar —até que o farfalhar de um terceiro intruso chamou a atenção e as palmas cessaram.
Severo, alto e sem fôlego, o pai, apareceu entre as folhas farfalhantes da floresta sem caminhos.
Então era realmente uma pergunta capciosa.
At'anau fez uma careta ao ver a cena —sabia que os dois não deveriam estar ali e que o estado do pai não prometia nada bom.
—Pai!
Os olhos de Jake baixaram da garota nas árvores para o garoto correndo em sua direção com o objeto grande.
—Estávamos tão perdidos! —preso em uma das pernas, Neteyam olhou para o pai, que franziu a testa para os filhos travessos—. Nós— o garotinho fingiu falta de ar, e At'anau pôde apenas observar enquanto a expressão severa do pai derretia e se transformava em consolo.
—Certo, certo, o que você tem aí?
Neteyam mostrou ao pai a grande fruta que colhera com tanta empolgação que At'anau pensou que ele deveria estar consumindo mais açúcares do monge.
—Essa é grande —ele suspirou ao ver.
—Ela encontrou! —o irmão mais velho apontou para trás, enquanto o som dos passos pesados da menina batendo no chão duro fez os olhos de Jake voltarem para a garota que os observava à distância.
A menina já não tinha a mesma idade; a fruta agora cabia perfeitamente em suas mãos. Sua expressão perdeu a travessura que costumava provocar o irmão, e a pele carregava tantas cicatrizes, mas os olhos eram os que congelavam o pai: opacos, vazios —quase despidos de alma.
Era como se a garotinha que ela fora tivesse partido e se aninhado dentro da árvore das almas junto ao gêmeo.
Talvez tenha sido isso. Talvez realmente houvesse uma parte dela que se foi quando o irmão partiu. Talvez apenas metade de seu coração tenha permanecido na terra, enquanto a outra metade perseguia sua alma gêmea pela ponte.
O nascimento compartilhado roubou partes de cada um na morte de um.
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Through the Valley¹ | Ao'nung
FanfictionNão há dúvidas de que os laços pessoais entre gêmeos podem ser fortes, mas não há evidências de que esse vínculo seja algo misterioso ou inexplicável. Se ao menos um soubesse a dor que causaria um ao outro quando essa conexão se partisse. Os Na'vi d...
