Capítulo 67

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Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.

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-«-«- Nascida Como -»-»-

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A rocha sob seus pés estava fria e afiada. O skimwing nadava ao redor dela como um tubarão provocando sua presa — ou talvez enlouquecendo ele mesmo. At'anau apenas esperava, os olhos fixos no horizonte. O silêncio lhe dava todo o tempo do mundo para pensar. Todo o tempo que ela tentava não ter.

Presa em seus pensamentos, ela apenas se preparava para o que precisava ser feito. Quando o homem fosse trazido, um dos rapazes o carregaria. Provavelmente aquele com quem ela havia feito a caçada dos sonhos. E ela determinou que aquele seria o fim. Ela o deixaria levá-lo. Teria um enterro adequado — o que todos os soldados Metkayina caídos mereciam. E depois disso, tentaria esquecer.

Aquele seria o fim. Ela voltaria, enfrentaria a família que perdeu, os amigos que não consegue manter. Os sentimentos que continuam doendo, mesmo enquanto desaparecem.

Ela não devia ter deixado Ao’nung descer. Não com um ferimento na cabeça como aquele. Ele nunca deveria ter vindo. Ela nunca deveria ter deixado ninguém vir junto. Deveria ter feito aquilo sozinha. O homem morreu por ela, e ela nem sequer conseguiu fazer o mínimo — resgatá-lo.

Tinham se passado apenas alguns dias; a garota não sabia quanto tempo era necessário para que o corpo começasse a mudar. E não queria saber. Só queria voltar para casa.

Casa.

— Ele não está no navio!

A pele de At’anau gelou com o susto, quando o garoto praticamente saltou para fora da água e aterrissou na mesma rocha em que ela estava.

— Ele não está no navio — repetiu ele. Dessa vez, At’anau entendeu, e se não estivesse já sentada, teria caído. Ao’nung e Rotxo juntaram-se a eles quase imediatamente, visivelmente tentando acalmar o garoto.

A cabeça de At’anau latejava, o estômago se revirava e uma centelha quase se apagou em seu peito. Ainda assim, tudo o que ela conseguia fazer era segurar a própria cabeça. Não podia ser. O que aconteceu? A corrente? Animais? Não, não deveria. Eles deveriam apenas recuperá-lo, lamentar e tentar seguir em frente.

— Como assim ele não está no navio?! — A voz alta do garoto soou aflita, sem resposta. Ele era o único capaz de expressar o desespero que todos sentiam.

Ao’nung e Rotxo permaneceram com o cenho franzido. Confusão genuína e choque estampados em seus rostos, enquanto tentavam encontrar uma explicação, qualquer uma, que não alimentasse nem uma gota de esperança em nenhum deles.

At’anau sabia que não podia se permitir aquilo, e mordeu a própria língua como punição por pensar assim, mas Ateyo não podia estar vivo. Era impossível. Ele já havia enganado a Morte uma vez; não poderia ter sido agraciado com outra chance. Não quando o irmão dela não tivera sequer uma.

— Ei! — At’anau foi mais uma vez arrancada de seus pensamentos, mas não levantou o olhar das pernas que se aproximavam dela. — Você estava com ele por último, não estava?

At’anau fechou os olhos, as mãos encontrando as orelhas e as cobrindo inconscientemente.

— Eu não sei — respondeu com a voz rouca e baixa. O outro garoto virou o rosto com desdém.

— Como é que é? Você não sabe? — Ele deu um passo à frente, e Ao’nung empurrou levemente o ombro dele para trás, embora ele inevitavelmente avançasse de novo na direção dela. — Onde ele está, hein?

Through the Valley¹ | Ao'nungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora