Capítulo 48

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-«-«- Minha responsabilidade -»-»-

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As duas crianças voltaram para suas respectivas famílias para o jantar e ouviram as histórias que circulavam. At'anau estava quieta como sempre, mas parecia estranhamente desinteressada na conversa à mesa.

Ao pensar no garoto a quem teria que dizer adeus naquele dia, ela sorriu com a sensação de formigamento que voltava a crescer em sua barriga.

Ela encheu a boca de comida para esconder o sorriso bobo e disfarçar os olhares que seu irmão lançava.

Com os Tulkuns tendo partido, os mares estavam mais calmos. Todos estavam em suas tendas ou trabalhando em terra firme, mas a garota logo viu o irmão mais novo saindo do galpão em direção a uma parte específica da praia e o seguiu assim que a tenda foi arrumada.

Lo'ak não prestava atenção a sua volta quando chamou por seu ilu e pegou a sela e o equipamento necessário para prepará-lo para uma viagem.

- O que você vai fazer?

Lo'ak se virou para encarar a garota que vinha caminhando em sua direção, com as mãos balançando e um brilho divertido nos olhos.

Ele revirou os olhos para o ilu, como se ela já não soubesse o que eu estou prestes a fazer.

- Não se preocupe com isso - murmurou, aproximando-se do ilu.

Mas a irmã o alcançou, colocando-se entre ele e o animal, estalando a língua entre os dentes.

- Agora eu sou uma guerreira leal do Olo'eyktan, irmãozinho. - A garota endireitou as costas, inclinando a cabeça enquanto observava o irmão, que cerrou o maxilar e desviou os olhos, lutando contra o impulso de jogar algo nela por mais uma vez dizer o que ele não deveria fazer. - Você sabe que eu não posso deixar você ir além do recife... - disse, pousando a mão sobre a sela que ele segurava. - Sozinho.

Ela observou o garoto ficar confuso, os pensamentos turvos, um leve brilho de interesse nos olhos.

- O quê? - disse ela enquanto devolvia os equipamentos à prateleira atrás do garoto. - Bem... - Assobiou para sua montaria. - Eu queria conhecer seu Tulkun assassino há dias.

A garota subiu com facilidade em sua skimwing enquanto o garoto observava a cena, revirando os olhos.

- Ele não é... - murmurou antes de desistir, já que a irmã permanecia indiferente e impaciente.

- Vamos logo. - At'anau estendeu a mão para o garoto se sentar atrás dela e avistou seu irmão mais velho vindo na direção deles.

- Aonde vocês pensam que vão? - chamou Neteyam, ao que Lo'ak e At'anau responderam ao mesmo tempo:

- Lugar nenhum.
- Payakan.

Lo'ak olhou incrédulo para a irmã por sua resposta tão direta, mas só viu o piscar indiferente dela.

- O quê?! - Neteyam gritou. - Vocês não podem simplesmente cruzar a fronteira!

Ele gritou para a garota, que já montava o animal e ignorava completamente suas palavras.

- Ah, não! - exclamou At'anau enquanto o animal começava a se mover. - Parece que estamos indo!

- At'i! - Neteyam chamou, como se fosse ele o único em apuros ali.

- Não consigo te ouvir! - gritou a garota à frente, movendo-se devagar pela água. - Estamos cruzando a fronteira!

Montados no Tsurak, os dois cortavam a água enquanto Lo'ak indicava o caminho.

Through the Valley¹ | Ao'nungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora