Capítulo 55

512 72 5
                                        

Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh Todos os direitos da obra vão para ela.

°•.❃.•°
-«-«- Concedido -»-»-

≪ °❇° ≫

A fumaça era espessa, preta, e sufocava seus pulmões enquanto sua pele se manchava de cinzas e sujeira. O cheiro de gasolina grudava em seu nariz, provocando seus sentidos.

Todas as regras haviam sido abolidas enquanto o mundo de Pandora era assombrado pelos metais. O alto de At'anau estava baixo e as águas, onde ela ansiava por estar, pareciam distantes enquanto sua pele continuava queimando sob a superfície prateada.

Ela não deveria estar na guerra. Não deveria ter agido diante de tamanho dano. Não deveria ter derrubado, com suas ações, o único homem que lhe ensinara seus costumes.

Esta guerra, pela qual o povo Na'vi do recife lutava, era algo para o qual nenhum deles estava realmente preparado.

A batalha ignorava as leis da Grande Mãe. Os materiais usados não eram apenas destrutivos — eram impiedosos. O Povo do Mar conhecia o terreno, lutava com tática e inteligência, mas o Povo do Céu tinha máquinas... e soldados infinitos trazidos das estrelas.

Ela deveria estar longe, na floresta, escondida, desconhecida da guerra, das crianças que conheceu, do garoto que abandonou.

Ela deveria estar aprendendo os costumes dos Tsahik, curando os doentes. Mas estava no campo de batalha — matando os que ainda estavam de pé.

Ateyo se foi. Com um leve virar de cabeça, ela se lembrou do próprio corpo rejeitando qualquer tentativa de se levantar.

At’anau amaldiçoou seus reflexos por não conseguir alcançar o homem mais rápido, mesmo que fossem eles que a fizeram fechar os olhos no momento em que ela o viu caído no chão. Imóvel.

Ela poderia ter feito algo. Qualquer coisa. Ela deveria ter feito.

Mas ali estava ela. Uma heroína fracassada aos olhos de muitos. Alguém que não conseguiu salvar nem o homem que havia trazido consigo para arriscar a vida. Como ela poderia salvar seus irmãos?

Seus irmãos.

Eles estavam na nave. Aquela que agora caía em chamas. Payakan havia causado tantos danos à nave-mãe que ela já não podia mais ser controlada. Os motores estavam falhando, os pontos de pouso destruídos, e os compartimentos inferiores sendo tomados pela água.

O navio se tornava mais pesado, afundando lentamente nas águas profundas.

At’anau tremia. Seu corpo se recusava a se acalmar. Ela precisava se concentrar, mas o pânico e a desorientação a dominavam por completo.

Estava desequilibrada, sem saber onde exatamente estava. Tinha sido jogada para longe depois de uma explosão e agora estava em outra parte da nave.

De joelhos, rastejou até uma parede retorcida, buscando apoio para as costas. Era uma parte isolada e destruída da estrutura. Fragmentos de metal rasgavam sua pele enquanto ela se movia, inconsciente dos cortes que causava em si mesma.

Com o peito subindo e descendo num ritmo frenético, puxou os joelhos contra o corpo. Seu cabelo molhado grudava na pele enquanto tentava reunir forças para controlar os membros trêmulos.

Essa não era uma batalha para a qual fora criada. Estava nela há tão pouco tempo que não conseguia deixar de temer o que o Povo do Céu fazia com seus inimigos nas lutas corpo a corpo ao redor.

Through the Valley¹ | Ao'nungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora