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Dhiovanna Barbosa.

Escuto o barulho da porta e franzo o cenho, pensei que ia ficar sozinha em casa hoje.

Arregalo os olhos com um barulho estranho e me sento no sofá, desligando a luz do celular, que era a única presente.

- idiota. - Escuto um murmuro e me levanto rapidamente, ligo as luzes e vejo Isabel sentada na frente da porta com as mãos no rosto e os ombros balançando.

Ela está... está chorando?

- Isa... - Me abaixo do seu lado sentindo meu peito apertar. - Isabel, o que houve.

Ela não é muito de chorar, muito menos na frente dos outros e sei que só está chorando desse jeito porque achava que estava sozinha.

- Sai... sai daqui

- Não vou sair. - Faço carinho no seu cabelo e percebo o quanto ela está envergonhada por chorar na minha frente. Ela nem me olhou. - O que aconteceu, Isabel?

- O seu irmão me traiu. - Ela solta e eu sinto meu corpo congelar. - Há dois anos, mas traiu. Esse foi o motivo do término que eu nunca contei para vocês.

Não consigo fazer expressão nenhuma. Isabel me olha como se esperasse uma reação e eu vejo os olhos vermelhos e o rosto banhado em lágrimas.

- Por isso eu nunca mais me envolvi por mais de duas semanas. - Diz e sorri, mas eu vejo que não está nem perto de chegar nos olhos. - No começo foi difícil. Eu não contei para ninguém e engoli sozinha o fato de ter encontrado ele na cama com outra.

- Por que não me disse? - É a única coisa que eu consigo dizer enquanto me sento do seu lado. - Eu ficaria do seu lado, Isabel.

- Era isso que eu queria evitar.  - Sua voz falha e eu fico quieta, escutando ela se abrir. - Ele é seu irmão, é amigo da Lívia e eu não podia acabar com a relação de vocês.

Passo as mãos no cabelo e sinto uma raiva fora de mim. Qual a porra do problema desse garoto?

Sinto vontade de pegar um voo para o Rio de Janeiro só para acabar com ele pessoalmente.

Ele sempre foi maluco nela, é até hoje. Não faz sentido ele agir com a cabeça de baixo desse jeito.

- Até que... - Ela sorri seca, como se contasse uma história. - Isabel finalmente se envolveu outra vez. Um cara que correu atrás dela e que ela estava muito, muito perto de amar.

Piquerez.

- Gabriel foi um idiota. - Olho para ela. - Mas eu sei que você já superou e agora está com um cara que parece gostar muito de você.

Isabel me olha e solta outra risada, como se o que eu disse foi Inacreditável.

- O cara que "parece gostar de mim" - Diz com desdém. - Estava me usando para afetar o seu irmão. A vagabunda que eu achei na cama do Gabriel era ex dele.

Meus olhos murcham e eu tenho certeza que minha expressão mudou. Eu não sei o que dizer.

- Eu não sei nem o nome da mulher, mas eu a odeio tanto. - Coloca as mãos na cabeça e se lamenta. - É sempre ela...

- Isso está errado... - Murmuro tentando entender.

- Certo não está. - Me olha sorrindo. - Eu confiei nele.... confiei pela primeira vez, como não confiava em ninguém.

- Isa...

- Ele me levou para jantar, Dhiovanna. - Diz, como se cada palavra saísse sem o seu consentimento. - Ele era perfeito, perfeito demais. Não fazia a menor questão de esconder o que a gente tinha. Me diz, como eu não desconfiei disso?

Olho pra ela e tento disfarçar meu olhar de pena, abraço seu corpo e sinto suas lágrimas saírem no meu ombro enquanto eu seguro as minhas.

- Acho que você é perfeita demais para qualquer um deles.

- Eu acho que eu devia morrer sem tentar mais. - Solto uma risada.

- A gente vai dar um jeito, tá? - Pego seu rosto. - A gente sempre dá.

Isabel concorda mas com certeza não acreditou nas minhas palavras, eu mal acreditei também.

Ajudo ela a se levantar e cuido como se fosse minha filha. Levo ela até o quarto e sento ela na cama, tirando a maquiagem e sinto o cheiro de vinho que vem dela.

Está bêbada e triste.

Me abaixo e tiro os sapatos e o vestido, ligo o chuveiro e escuto ela reclamar.

Depois de deixar ela tomar banho sozinha, pego um pijama e deixo na cama enquanto vou até a cozinha e bebo um copo de água

São duas situações tão Inacreditáveis que mal chegam a parecer real.

Depois de um tempo, vou até o quarto e percebo que ela está deitada na cama e quase dormindo.

- Não conta para a Lívia... - Ela resmunga de olhos fechados.

- Isa...

- Ela é amiga deles, trabalha com eles, isso abalaria. Não conta para ela.

- Não conto. - Concordo. - Agora dorme, tá?

Não preciso dizer outra vez e escuto ela roncar baixinho.

Vou até a cozinha outra vez e me sento na bancada, pensando.

Eu quero tanto descobrir quem é essa mulher. Quero tanto quebrar a cara desses dois.

As pessoas não são quem parecem ser

A voz do meu pai ecoa na minha mente, ele sempre dizia a mesma coisa, não importava a situação.

Meu irmão tem caráter, eu conheço ele há mais tempo do que eu tenho de vida, ele sempre menosprezou a traição, de qualquer forma.

Não conhecia o Piquerez, mas ele estaria tão empenhado para se vingar do meu irmão?

Ele buscava Isabel todos os dias, estavam quase namorando e eu sei que ela estava indo com calma, sei que ele estava respeitando o tempo dela.

Foi tudo a merda de um jogo? Ele só queria a ex e o meu irmão mal?

Eu não sou idiota, vi tudo e ainda vi de fora, ele gostava dela. Alguém precisa ao menos escutar esse idiota.

Pego meu celular e não penso em mais nada. Isabel não vai gostar, mas isso está martelando a minha cabeça.

Abro o contato do Gabriel e mando apenas um "Preciso de você em São Paulo o quanto antes."

Não me importo se ele vai achar que é algo sério, se o Flamengo precisa dele. Eu também preciso.


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