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Richard Ríos

- Eu vou em casa, buscar umas roupas para você. - Me aproximo dela e seus olhos me olham rapidamente. Beijo seu rosto e saio do quarto, frustrado.

Já se passaram dois dias e hoje é a alta dela. Ela descobriu que o nosso filho morreu e não soltou uma lágrima sequer, isso me preocupa mais do que qualquer coisa.

Dhiovanna ficou no quarto com ela e o médico disse alguma ladainha para eles acreditarem. Lívia não quer que ninguém saiba o que aconteceu de verdade, mas eu não tenho certeza se todos eles acreditaram.

Porra, eu me lembro de como eu me senti quando Dhiovanna me ligou e disse que estavam no hospital com a Lívia, foi horrível.

- Você bem que podia me dizer a verdade, não é? - Sou interrompido quando uma figura alta aparece na minha frente.

- Acho que você sabe que o Piquerez ainda é maluco por você. - Dou um sorriso irônico e desvio do seu corpo, deixando ela lá parada.

Mas infelizmente, Isabel volta como se tivesse com consciência outra vez

- É sério? A única coisa que o médico disse foi “Ela teve uma complicação ginecológica grave, perdeu muito sangue e precisou de cirurgia de emergência. Vai precisar de repouso.” - Me viro completamente abismado com o fato dela ter decorado as exatas palavras do médico e ainda engrossou a voz.

- Você é maluca. Devia de tratar. - Desvio outra vez mas a mulher irritante aparece na minha frente, Insatisfeita.

- Eu vou descobrir, uma hora ou outra. Devia poupar o meu esforço.

- Você devia se exercitar, então.

- Está me chamando de gorda? - Ela olha para o corpo e arregala os olhos. - Eu sou modelo, cara...

- A Lívia pediu capuccino, tem na máquina da frente. - Reviro os olhos e fico impressionado com a facilidade dela de esquecer o assunto anterior, realmente se aparece com o Joaco.

- Eu vou descobrir, seu merda.

- Não me enche.

Não escuto mais nada e entro no elevador, respirando fundo e saindo daquele ambiente hospitalar pela primeira vez.

É sério, fiquei todos esses dias aqui. O Gabigol foi buscar roupas na minha casa. A porra do Gabigol.

Abaixo o óculos de sol, mesmo que esteja anoitecendo, preciso dar um jeito para esconder esses malditos olhos vermelhos.

Minutos depois, paro na frente do meu apartamento e entro, fechando em seguida.

Não quero perder tempo aqui. Abro a bolsa e coloco algumas roupas, mesmo sabendo que ela vai precisar só de uma.

Meu celular apita e eu ignoro, até que isso acontece mais umas três vezes, o que é o suficiente para me deixar irritado.

Toda irritação se esvai do meu corpo quando eu vejo que uma das mensagens é dela. Um simples e breve "vai demorar?"

Sorrio de lado e digito, "saudades, boneca?"

Nesses últimos dias uma das coisas que eu mais tentei fazer foi tirar um sorriso de verdade dessa mulher, estava farto dos sorrisos falsos para as amigas em uma falha tentativa de tentar mostrar que está tudo bem.

Saio da conversa e me sento na cama, sorrindo minimamente quando vejo a foto da minha mãe.

"¡Mijo, vos sí es que sos un descarado! ¿Así que tenías novia y me vengo a enterar por la prensa? ¡De verdad que me haces quedar como una pendeja!"

“Moleque! você é mesmo um cara de pau! Então você tinha namorada e eu vim descobrir pela mídia? De verdade, você me faz parecer uma trouxa!

Dou um sorriso olhando para a tela e suspiro, sentindo falta de casa.

"Llegas dos días tarde, mamá

"Está dois dias atrasada, mamãe."

Ela me manda um áudio e quase deixo no mudo ao escutar os xingamentos. A mulher exige conhecer Lívia e eu prometo que vou levá-la o mais rápido possível.

Queria muito que a minha mulher conhecesse a minha família.

Me distrai e fiquei mais uns minutos no apartamento. Quando percebi, peguei a bolsa e saí rapidamente, indo até o carro.

Lívia não falou nada sobre o Palmeiras, mas sei o quanto isso está deixando ela maluca. Eu não dei o que vai acontecer agora

Bom, até sei, mas vou fazer o possível para que não. Meu plano ainda está de pé, ele só não tem a mesma eficiência de antes.

Paro na frente do hospital e desço como um furacão, surpreso pela imprensa não ter lotado esse lugar.

Devo admitir que Gabriel Barbosa foi bem competente nessa parte.

Depois de uns minutos, abro a porta do quarto com a bolsa na mão e falando nele...

O homem diz alguma coisa para a Lívia que a faz rir, e eu não sei e o odeio ou o amo por isso.

- Oi... - Ela murmura e sorri levemente, me deixando um pouco feliz, seus sorrisos são raros nesse quarto e se esse cara estava ajudando ela, eu posso lidar com isso.

- Como você está? - Beijo sua bochecha. - Eu trouxe algumas roupas e até...

Sorrio de lado enquanto tiro a barra de chocolate, vendo seus olhos brilharem e meu sorriso também. Isso mesmo, esse olhar.

Eu perguntei para o médico e ele disse que se fosse só um pouco, não teria problema. Mas, vou fingir que isso é tipo um contrabando para ver se consigo divertir essa mulher.

- Eu não acredito...

- É só um pouco, você não pode comer ainda... - Murmuro e entrego a barra, ela está distraída demais e eu olho para o homem ao seu lado enquanto a abraço, acho que ele já entendeu.

Eu com certeza não traria isso aqui se fosse fazer algum mal a ela, o mínimo que fosse.

Ela abre e dá uma mordida tão grande que faz com que eu arregale os olhos. Lívia fecha os seus e suspira, aliviada.

- Como eu queria isso... - Ela murmura e me olha, em seguida. - Você acertou em cheio.

Sorrio, eu com certeza ganhei o meu dia agora.

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