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Dhiovanna Barbosa

Tomo o quinto café que eu peguei dessa maquina horrível e quase grito quando eu percebo que não tem um grão de açúcar.

Engoli de uma vez só e sinto minha garganta fechar enquanto escuto Richard gritando com um médico pela vigésima vez e praticamente implorando para saber como ela está.

Eles não disseram nada. Nem o que aconteceu, ou o que estão fazendo.

Sorte que meu irmão conseguiu fechar esse andar, só com os pacientes e alguns médicos

- Como é que pode... - Me viro escutando minha amiga murmurar. - Tudo dar tão errado em menos de vinte quatro horas.

Me sento no banco, ao lado da Isabel e só consigo pensar no quanto eu preciso do abraço dele agora.

Quando eu vi ela lá, se contorcendo no banco do carro, chorando e sangrando eu senti como se meu mundo pudesse desabar.

Isabel não parou de chorar desde o segundo que pisou aqui e eu sequer consegui, o que é uma droga maior.

Olho para o lado e vejo Gabriel andando de um lado para o outro. Richard está sentando com as mãos na cabeça, mas essa é só uma das milhares de reações que ele já teve em duas horas.

- Por que não desce lá embaixo e toma um ar?

- Por que acha que eu devia tomar um ar, Isabel? - A olho. - Eu quero estar aqui quando a médica aparecer.

- Não apareceu em horas, não vai aparecer agora. - Revira os olhos vermelhos. - Vai e busca um capuccino, deve ser melhor que esse café horrível.

Não querendo discutir, só concordo levemente enquanto me levanto e vou até o bendito elevador que eu odeio tanto, mas agora eu nem consigo me importar.

Vou até o primeiro andar e não tem tanta gente. O hospital tem poucos pacientes hoje. Isso é bom, eu acho.

Vou até a parte de fora e me sento em um banco afastado e fecho os olhos, respirando fundo. Isabel tinha razão, eu realmente precisava de um ar livre.

- Finalmente achei você. - Me assusto e me levanto rapidamente quando eu escuto essa voz, mas não me viro.

Sinto um bolo na minha garganta, ele veio.

- O que você está fazendo aqui?

Raphael toca o meu cabelo e eu percebo que ele estava próximo, me viro e quase sorrio quando vejo ele

Está com um boné, como se tentasse esconder quem ele era e uma roupa completamente preta. Está parecendo um segurança, mas está lindo, muito lindo.

- Bom, você não me chamou, mas a sua amiga sim. - Ele se senta e me puxa para o seu lado e eu fecho os olhos, desviando o olhar. - Ela vai ficar bem. Sabe disso, não sabe?

- Não, eu não sei. - Olho para ele e sinto minha visão embaçar.

- Qual é, é a Lívia. - Ele diz e eu sorrio levemente enquanto deito a cabeça no peito dele.

Me lembro de que chamei meu irmão para São Paulo sem pensar que poderíamos estar aqui hoje.

Eu só fiz, porque estava muito puta pelo o que ele fez com a Isabel e se eu pudesse, jogava ele e o Piquerez dentro da mesma sala até que um saísse morto de dentro de lá.

Tá certo, talvez eu não teria toda essa coragem, mas é uma possibilidade.

Gabriel chegou de madrugada, talvez eu tenha assustado ele e isso fez com que ele viesse correndo. Gabriel pediu um tempo dos jogos e o Flamengo liberou com um pouquinho de custo.

Eu ia acabar com ele, mas quando ele me disse, (me provou) o que realmente aconteceu eu mal tive tempo de raciocinar, já que o meu celular estava quase pifando de tantas mensagens sobre a Lívia.

Agora fico ainda mais preucupada com a Isabel, ela vai ficar tão confusa. A situação em si, é confusa.

- Está tudo péssimo... - Sinto minha voz falhar, me deixando surpresa com a vontade de chorar que eu não tive em horas. - E as coisas no Palmeiras?

- Ninguém sabe que ela está mal, mas todo mundo viu a postagem. - Respira fundo. - O Menino sumiu, parece até que está se escondendo.

- Talvez seja melhor mesmo. Richard tá parecendo um animal lá dentro.

Eu realmente não sei o que ele faria quando visse esse homem na frente dele. Como as coisas vão ser agora?

Está tudo tão confuso.

- Eu imagino. - Sorri. - Como você está?

Como eu estou?

Não se deve perguntar isso para uma pessoa que está com um bolo da garganta e tentando conter as lágrimas desde que chegou aqui.

Olho para ele e não me contenho, coloco as mãos na cabeça e choro por tudo o que não chorei. Choro pelo fato da minha amiga estar machucada e doente, pelo fato da Isabel estar triste desde ontem e isso só chegou para piorar

Choro pelo fato de que a Lívia provavelmente vai perder o emprego que ela tanto gosta e que a Internet não vai deixar ela em paz.

Raphael me abraça e pela primeira vez eu me sinto confortável para dizer o que eu quiser e chorar o quanto eu quiser. Então, é isso o que eu faço.

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