54

346 9 0
                                        

Dhiovanna Barbosa

Resmungo algo que nem mesmo eu entendi enquanto dou uma colherada no sorvete.

- É sério? Eles iam se casar e ele traiu ela na porra da despedida de solteiro! Por isso sempre vou odiar essa merda.

- Não tem tanto problema se o seu noivo for fiel. - Dou de ombros.

Isabel revira os olhos do meu lado enquanto dá uma mordida no sorvete. Pois é, eu disse mordida

Isabel anda meio... instável nos últimos dias.

Eu sei que não foram dias fáceis para ninguém, muito menos para a Lívia mas as vezes a amiga do meu lado, parece uma lunática.

Você percebe que a coisa está realmente feia quando Isabel começa a comer que nem uma maluca, sem se preucupar com as calorias.

O que é muito bom, mas não tanto considerando o quão compulsivo os atos são.

- Você apaixonada é uma droga.

Reviro os olhos e não respondo, dou um beijo no seu rosto e me levanto, enquanto pauso o filme

Pego o pote de sorvete e o fecho, ouvindo Isabel reclamar. Ignoro ela enquanto sorrio e escuto um celular tocar.

- É o meu? - Pergunto da cozinha e Isabel não responde. Volto para a sala e vejo ela olhando para o seu celular sem expressão.

Ela percebe que eu estava olhando e desliga o celular, dando um sorriso falso enquanto se levanta.

- Cobranças idiotas. - Isabel passa por mim e eu franzo o cenho, tendo a total certeza de que não era uma cobrança.

Dou de ombros, as vezes é só o Piquerez querendo conversar. Só não está mais chato que o meu irmão.

Acho que é por isso que ela anda tão irritada. Compreensível, coitada.

♤♤♤

- Não aguento mais o bobão chorando no meu ouvido. - Reviro os olhos e sorrio, deitando a cabeça no peito dele ofegante pelo o que acabamos de fazer.

Puxo o cobertor até os meus seios e escuto o seu coração bater forte, sentindo uma calma diferente.

- Ela está mais irritada do que nunca. Só não sei se é por causa dele ou do meu irmão.

- Do seu irmão?

Arregalo os olhos minimamente e apoio meu queixo no seu peito. Sorrio de leve e beijo seu pescoço.

Subo eles até que chego na sua boca. Raphael coloca a mão dentro do meu cabelo e o puxa, me deixando um pouco, agitada...

Me separo dele quando sinto falta de ar e me jogo no meu peito outra vez, mais perto do seu rosto, agora.

- Estava tentando me distrair, amor?

Dou uma risada baixa e é incrível como eu ainda sinto muita vergonha escutando ele me chamar assim, como a porra de uma adolescente na puberdade.

- Me ofende o fato de você pensar algo assim de mim.

Raphael dá uma risada alta e eu o acompanho, me afasto para ver as horas e vejo que são quase oito, perto da hora dele ir treinar.

Sorrio outra vez quando Raphael puxa a minha cintura e eu me aproximo cada vez mais.

- Me sinto mal por sentir tanta raiva do seu amigo. - Solto e sinto e ele sorrir.

- Acredite, eu também. - Ele murmura passando a mão nos olhos e eu dou de ombros. - Mas ele está arrependido...

Apoio meu corpo nos cotovelos enquanto olho para ele, provavelmente com uma carranca, já que ele arregalou os olhos.

- Está defendendo ele?

- Não é questão de defender, amor... - Ele diz o apelido mais baixo, fecho os olhos irritada comigo mesma quando percebi que isso tinha se tornado a porra do meu ponto fraco. E eu espero que ele não tenha percebido. - Ele está arrependido...

- Ele usou ela, Raphael.

- No começo, mas... - Raphael olha para o meu rosto e engole em seco. - Tem razão, ele é um merda.

Sorrio satisfeita quando percebi que essa reação pareceu um pouco de medo, mas deve ser coisa da minha cabeça. Não é como se eu fosse matar ele enquanto ele dormia.

Sorrio me lembrando do dia que ameacei ele com uma faca e fiz Raphael ficar com medo de mim o dia inteiro.

Ele deixa um beijo no meu rosto e se senta na cama, de costas para mim

Me apoio no cotovelo e observo suas costas definidas e cheias de pintas. Desvio o olhar quando percebi que se não o fizesse, íamos ficar mais uns minutos na cama.

Raphael coloca a cueca e se levanta indo até o banheiro, logo escuto o barulho do chuveiro sendo ligado.

Não sei como ele não estava cansando. Eu estava morta.

Meu cabelo está desgrenhado e meu corpo marcado. Sorrio lembrando de quando ele disse que estava com saudades antes de fazer tudo isso.

Fecho meus olhos outra vez e me sinto extremamente cansada, fecho os olhos e mal percebi quando dormi.

Abro os olhos me sentindo ainda mais cansada e espalmo a cama, irritada quando não acho nada.

Dormi antes mesmo dele sair.

Vejo meu celular na cômoda e pego, dando uma olhada nas horas. Agora eram 10:32

Fixo no celular até as 11:00, quando descido finalmente me levantar e tomar um banho.

Desço as escadas e vou em direção a cozinha, sorrio quando vejo a senhora preparando um pão.

- Bom dia, Márcia!

- Bom dia, menina. - Ela sorri levemente. - O senhor Veiga pediu para eu fazer quando você acordasse, comecei quando escutei o barulho do chuveiro.

- Ah, não precisava... - Murmuro constrangida, Raphael sempre faz isso.

- É claro que precisa, você parece cansada. - A mulher diz e eu arregalo os olhos tentando achar algum pingo de brincadeira no seu olhar, mas ela não faz nada.

Engulo em seco envergonhada, eu devo estar acabada, então.

- Certo, Márcia. Eu vou comer no carro, obrigada. Até mais!

Sobre NósOnde histórias criam vida. Descubra agora