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Lívia Alencar

Abro os olhos lentamente e me sinto desconfortável com a luz forte, além da minha garganta seca.

Tento me acostumar e sorrio de lado quando eu percebo que me sinto leve como uma pena. O que está acontecendo?

- Aí, meu Deus. - Escuto uma voz familiar. - Ela acordou, Richard!

No mesmo segundo, o homem aparece no meu campo de visão e eu sorrio, meu grogue. Seus olhos estão vermelhos e o rosto inchado, eu não gostei muito disso.

Consigo ver o cabelo escuro pela visão periférica e tento dizer algo, mas não consigo, estou com sede.

- Eu vou chamar a enfermeira.

Me perdi enquanto ela saia pela porta e percebo um canudo ser colocado na minha frente, bebo o líquido com rapidez e me sinto um pouco mais lúcida agora.

A cama é inclinada de uma jeito legal, me deixando quase sentada.

O copo é afastado e eu pisco rapidamente, ainda tentando me acostumar com a luz forte e extremamente branca.

- Oi...

- Oi, boneca... - Ele sorri, mas eu percebo que não chega nos olhos. Eu estou confusa, não me lembro de quase nada e sei que essa expressão deve ser por eu estar em uma cama de hospital, mas eu já acordei, está tudo bem agora, não?

- Eu já estou acordada... - Digo com dificuldade. - Pode parar de chorar agora.

Não sei se é pelo efeito da anestesia, mas   esse cometário soou muito melhor na minha cabeça.

Richard me olha e uma lágrima caí do seu olho, mas ele a limpa rapidamente e dá um sorriso, vindo até mim.

- Como você está? - Sorrio de lado e sinto o beijo na minha testa.

- O que aconteceu?

- A mídia...

- Isso eu não me esqueci, amor. - Murmuro irônica e ele sorri. - O que eu estou fazendo aqui?

- Lívia...

Percebo quando os olhos marejam e eu franzo o cenho. O que droga aconteceu comigo?

Richard apoia o rosto no meu pescoço e o que eu pensava que vinha sendo só um abraço, vira outra coisa completamente diferente.

Não sei o que fazer quando esse homem enorme começa a chorar no meu pescoço e faz um carinho no meu cabelo, buscando um pouco de conforto.

Não é um choro de alívio. Eu nunca vi ele derramar uma lágrima sequer, eu tinha me esquecido que ele tinha essa capacidade.

E agora ele está aqui, soluçando e me deixando apavorada.

Engulo em seco e agora que me sinto 100% desperta, coloco as mãos no seu cabelo e beijo seu rosto. Eu estou com medo de perguntar o que aconteceu comigo de verdade.

- O.Que.Aconteceu?

Pergunto pausamente enquanto seguro seu rosto vermelho e limpo suas lágrimas, assim como ele já fez comigo.

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