25

473 16 0
                                        

Dhiovanna Barbosa

Me encosto no banco do carro enquanto espero Lívia sair do aeroporto.

Eu até buscaria ela lá, mas a minha desculpa é a cólica, a minha é sempre tão forte que chega a irritar.

Sorrio quando escuto a porta do carro se abrir e olho para o lado. Lívia sorri e me abraça fortemente, sorrio de lado e retribuo da maneira que posso.

- E então, como foi? - Pergunto enquanto começo a dar partida

- Foi ótimo! Nós vencemos de 4×0.

- Isso eu sei, acha que não assisti o jogo do meu irmão?

- Você nunca gostou muito.

- É sério!

- Quantos milésimos?

- Trinta minutos. - Digo orgulhosa.

-E assistiu sozinha?

Sorrio de lado pensando no quanto o Veiga gosta de ver futebol. Eu estava na casa dele e o idiota ficou vendo esse jogo o tempo todo.

Não sei dizer muito bem para quem ele torceu, só sei que ficou feliz para cada passe certo do Bruno Henrique, ele acha o BH um barato.

Eu assisti trinta minutos e dormi o resto do jogo.  Quando acordei já tinha se passado o maior tempão e ele ficou com o braço dormente por causa da minha cabeça.

- Não acredita que tenha visto por espontânea vontade?

- Com certeza, não. - Sorrio, ela tem razão. - E então, como foram as coisas sem mim?

Não evito o sorriso, ela sempre pergunta.

- Foram só uns dias, não tem muito o que acontecer.

- Suponho que o nosso apartamento tenha ficado vazio.

- Talvez. - Murmuro, nunca vou saber, também não estive em casa nos últimos dias. - Onde vai ficar?

- Em casa é que não é.

♤♤♤

Abro a porta de casa e me deixo minha bolsa na bancada. Acabei de deixar a Lívia no Ríos e acho que só preciso da minha cama.

Caminho até o corredor dos quartos e franzo o cenho com o barulho que eu escuto.

Não...

Coloco o ouvido na porta da Isabel e imediatamente faço uma careta de nojo misturada com indignação.

- Que droga... - Murmuro e viro de costas, pegando minha bolsa e saindo do apartamento.

Não se deve transar na nossa casa, esse Uruguaio tá virando minha amiga do avesso. Sorte que o coitado do meu irmão não mora com a gente.

Desço o elevador e escuto um homem pedindo para eu segurar, faço e sorrio minimamente quando ele agradece.

Nunca o vi aqui, deve ser morador novo, ou um visitante. É meio estranho considerando que ele esta vestido de uma forma completamente formal em uma quarta a tarde.

- Eu nunca te vi por aqui. - Ele diz e eu olho no seu rosto pela primeira vez, deve ser um pouco mais velho do que eu.

- Eu moro aqui. - Murmuro sem olhar e vou até os botões, apertando outra vez.

Não gosto de ficar sozinha com desconhecidos, ainda mais em um lugar tão fechado.

Ele solta uma risada e eu arregalo os olhos quando preciso me apoiar na barra de apoio quando o elevador para bruscamente.

- Ah, droga...

- O que aconteceu?

- Eu acho que parou... - Ele murmura e olha as horas no relógio com preocupação.

- O que, não! - Paro na frente da porta e coloco a mão na cabeça.

Eu detesto elevadores, agora estou presa com um desconhecido dentro de um.

Essa droga não tem botão de emergência, como um elevador não tem botão de emergência?!

- Está nervosa...

- É, estou sim! - Resmungo irritada. - Desculpa...

- Não tem problema. - Sorri simpático. Como ele ainda consegue ser simpático? - Minha irmãzinha não gosta muito de elevadores.

♤♤♤

Me encosto na parede e sorrio enquanto enxugo minha testa suada.

- Você não me disse seu nome...

- Dhiovanna. Dhiovanna Barbosa.

- Apesar de você não ter perguntando... - Começa. - Sou Alex Morgan.

- Não me parece um nome brasileiro.

- Não é. - Ele sorriu. - Nasci no Canadá.

Não consigo evitar meu rosto surpreso, ele não tem o menor sotaque.

Estamos aqui há uma hora, o resgate tá demorando para caramba, mas pelo menos estão vindo.

O homem na minha frente é engraçado, gentil e não é feio, me lembra o Raphael.

- Acabei de perder a reunião mais importante da minha vida.

- Eu sinto mui...

- Não é nada demais. Não é como se eu não fosse herdar a empresa de qualquer jeito. - Não posso evitar minha cara de surpresa e quase decepção. É um filhinho de papai. - Não pense isso de mim

- Não estou pensando em nada.

- Deve achar que eu sou um mimado de merda. - Não evito o sorriso, ele acertou. - Isso não é verdade, seria mais fácil se ele mão fosse um pé no saco.

Me levanto rapidamente quando escuto um barulho na porta e sorrio quando ela é finalmente aberta.

Olho minimamente para trás e vejo o homem bem atrás de mim, sorrio e agradeço os bombeiros, sentindo finalmente o ar livre.

- Pode me dar ao menos seu número, Dhiovanna?

Escuto sua voz atrás de honestamente, eu não sei o que responder.

Como eu disse, é um homem gentil, engraçado e muito atraente.

Mas eu sinto como se não fosse certo, eu me senti atraída, mas acho que não o suficiente.

Isso é ridículo, nós ficamos a pouco tempo, foi rápido e não falamos nada sobre exclusividade, mas eu me sinto errando só de pensar em aceitar.

Olho para trás e levanto meus olhos para observar o homem alto, dou um sorriso e bato no seu ombro de leve.

- Até mais, Alex.


Sobre NósOnde histórias criam vida. Descubra agora