Dhiovanna Barbosa
Me encosto no banco do carro enquanto espero Lívia sair do aeroporto.
Eu até buscaria ela lá, mas a minha desculpa é a cólica, a minha é sempre tão forte que chega a irritar.
Sorrio quando escuto a porta do carro se abrir e olho para o lado. Lívia sorri e me abraça fortemente, sorrio de lado e retribuo da maneira que posso.
- E então, como foi? - Pergunto enquanto começo a dar partida
- Foi ótimo! Nós vencemos de 4×0.
- Isso eu sei, acha que não assisti o jogo do meu irmão?
- Você nunca gostou muito.
- É sério!
- Quantos milésimos?
- Trinta minutos. - Digo orgulhosa.
-E assistiu sozinha?
Sorrio de lado pensando no quanto o Veiga gosta de ver futebol. Eu estava na casa dele e o idiota ficou vendo esse jogo o tempo todo.
Não sei dizer muito bem para quem ele torceu, só sei que ficou feliz para cada passe certo do Bruno Henrique, ele acha o BH um barato.
Eu assisti trinta minutos e dormi o resto do jogo. Quando acordei já tinha se passado o maior tempão e ele ficou com o braço dormente por causa da minha cabeça.
- Não acredita que tenha visto por espontânea vontade?
- Com certeza, não. - Sorrio, ela tem razão. - E então, como foram as coisas sem mim?
Não evito o sorriso, ela sempre pergunta.
- Foram só uns dias, não tem muito o que acontecer.
- Suponho que o nosso apartamento tenha ficado vazio.
- Talvez. - Murmuro, nunca vou saber, também não estive em casa nos últimos dias. - Onde vai ficar?
- Em casa é que não é.
♤♤♤
Abro a porta de casa e me deixo minha bolsa na bancada. Acabei de deixar a Lívia no Ríos e acho que só preciso da minha cama.
Caminho até o corredor dos quartos e franzo o cenho com o barulho que eu escuto.
Não...
Coloco o ouvido na porta da Isabel e imediatamente faço uma careta de nojo misturada com indignação.
- Que droga... - Murmuro e viro de costas, pegando minha bolsa e saindo do apartamento.
Não se deve transar na nossa casa, esse Uruguaio tá virando minha amiga do avesso. Sorte que o coitado do meu irmão não mora com a gente.
Desço o elevador e escuto um homem pedindo para eu segurar, faço e sorrio minimamente quando ele agradece.
Nunca o vi aqui, deve ser morador novo, ou um visitante. É meio estranho considerando que ele esta vestido de uma forma completamente formal em uma quarta a tarde.
- Eu nunca te vi por aqui. - Ele diz e eu olho no seu rosto pela primeira vez, deve ser um pouco mais velho do que eu.
- Eu moro aqui. - Murmuro sem olhar e vou até os botões, apertando outra vez.
Não gosto de ficar sozinha com desconhecidos, ainda mais em um lugar tão fechado.
Ele solta uma risada e eu arregalo os olhos quando preciso me apoiar na barra de apoio quando o elevador para bruscamente.
- Ah, droga...
- O que aconteceu?
- Eu acho que parou... - Ele murmura e olha as horas no relógio com preocupação.
- O que, não! - Paro na frente da porta e coloco a mão na cabeça.
Eu detesto elevadores, agora estou presa com um desconhecido dentro de um.
Essa droga não tem botão de emergência, como um elevador não tem botão de emergência?!
- Está nervosa...
- É, estou sim! - Resmungo irritada. - Desculpa...
- Não tem problema. - Sorri simpático. Como ele ainda consegue ser simpático? - Minha irmãzinha não gosta muito de elevadores.
♤♤♤
Me encosto na parede e sorrio enquanto enxugo minha testa suada.
- Você não me disse seu nome...
- Dhiovanna. Dhiovanna Barbosa.
- Apesar de você não ter perguntando... - Começa. - Sou Alex Morgan.
- Não me parece um nome brasileiro.
- Não é. - Ele sorriu. - Nasci no Canadá.
Não consigo evitar meu rosto surpreso, ele não tem o menor sotaque.
Estamos aqui há uma hora, o resgate tá demorando para caramba, mas pelo menos estão vindo.
O homem na minha frente é engraçado, gentil e não é feio, me lembra o Raphael.
- Acabei de perder a reunião mais importante da minha vida.
- Eu sinto mui...
- Não é nada demais. Não é como se eu não fosse herdar a empresa de qualquer jeito. - Não posso evitar minha cara de surpresa e quase decepção. É um filhinho de papai. - Não pense isso de mim
- Não estou pensando em nada.
- Deve achar que eu sou um mimado de merda. - Não evito o sorriso, ele acertou. - Isso não é verdade, seria mais fácil se ele mão fosse um pé no saco.
Me levanto rapidamente quando escuto um barulho na porta e sorrio quando ela é finalmente aberta.
Olho minimamente para trás e vejo o homem bem atrás de mim, sorrio e agradeço os bombeiros, sentindo finalmente o ar livre.
- Pode me dar ao menos seu número, Dhiovanna?
Escuto sua voz atrás de honestamente, eu não sei o que responder.
Como eu disse, é um homem gentil, engraçado e muito atraente.
Mas eu sinto como se não fosse certo, eu me senti atraída, mas acho que não o suficiente.
Isso é ridículo, nós ficamos a pouco tempo, foi rápido e não falamos nada sobre exclusividade, mas eu me sinto errando só de pensar em aceitar.
Olho para trás e levanto meus olhos para observar o homem alto, dou um sorriso e bato no seu ombro de leve.
- Até mais, Alex.
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Sobre Nós
De Todo"Proibição não apaga desejo, só o alimenta." ~~~~~~ Lívia Alencar é fisioterapeuta do Flamengo, apaixonada pelo clube desde criança e querida por todo o elenco rubro-negro. Quando recebe uma proposta quase irrecusável para trabalhar em São Paulo, no...
