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Lívia Alencar

Mando mensagem para o Richard e peço para ele me encontrar no apartamento dele no momento em que entro no uber.

Eu sai e não consegui me despedir de ninguém, e até pensei em ir até o meu apartamento mas sei que é o primeiro lugar que Isabel e Dhiovanna me procurariam.

E eu tenho certeza de que eu iria abrir a boca.

A sensação no meu peito é tão sufocante que chega a ser terrível e eu preciso encostar a cabeça no banco do carro e respirar fundo para tentar acalmar isso.

Abro meu celular quando o vejo apitar deliberadamente mas só mando mensagem para Isabel dizendo que não vou dormir em casa, talvez isso ajude.

Além as 17 mensagens que o Richard me mandou, a última foi "estou a caminho"

Acho que assustei ele.

- É aqui. - Aponto para o prédio e sorrio para o uber, descendo do carro.

Caminho até a portaria e tenho a certeza de que ele ainda não chegou, vou ter que esperar do lado de fora. Que ótimo.

- Senhorita? - Franzo o cenho e a pessoa chama outra vez, me viro e vejo o porteiro me olhando confuso. - Você não quer entrar?

- Ah, eu não sou moradora. - Sorrio. - Só estou esperando uma pessoa.

- O senhor Ríos me disse para liberar a sua entrada. - Arregalo os olhos, qual o problema dele?! - Não se preucupe, sou bom em guardar segredos.

Só o fato de me lembrar disso foi o suficiente para a minha preocupação.

Ele sorri simpático e abre o primeiro portão para que eu possa entrar, e eu agradeço, mas paro na frente dele, confusa.

- Desde de quando?

- Uns bons meses. - Sorri. - Ele continuou mesmo quando a senhorita sumiu por meses. Devo perguntar, está tudo bem?

Percebo meu rosto vermelho e provavelmente tenso, trato de disfarçar e sorrio abertamente para o homem

- Com certeza, obrigada. - Agradeço e finalmente entro no condomínio. Aperto o botão do elevador e sorrio quando me lembro da mulher ruiva aqui dentro.

Aquele dia eu fiquei roxa de ciúmes.

Chego no andar e fecho os olhos tentando me lembrar da senha, eu só podia errar uma vez.

Errei

Ótimo, isso é muito bom, Lívia.

Faço outra vez e sorrio quando percebo a porta destrancar e eu vejo o apartamento um pouco bagunçado.

Arregalo os olhos e pego o meu sutiã jogado no chão, isso tem que ir para o cesto.

Vou até a cozinha e bebe um copo de água esperando por ele e no mesmo momento em que deixo o copo na pia, escuto a porta ser aberta.

Caminho até a sala e a primeira coisa que eu sinto são os braços fortes me apertando e o perfume amadeirado entrando pelas minhas narinas.

- O que aconteceu?

- Desculpa, eu não queria alarmar você...

- Me diz o que foi que aconteceu, Lívia.

- Eu bati no Gabriel. - Ele arregala os olhos e eu fecho os meus. - Ele começou a dizer umas coisas e...

- Você bateu nele? - Percebo ele olhar para um ponto fixo atrás de mim e eu concordo confusa. - A bochecha dele estava vermelha...

Richard se aproxima mais e junta nossos lábios. Um beijo que se pudesse dizer algo, seria "Parabéns, boneca."

- Estou orgulhoso de você, boneca. - Sorrio e me separo. Exatamente o que eu pensei. - O que ele fez com você?

Arregalo os olhos minimamente me lembrando dele falando que era louco para me "comer"

- Não ia bater nele sem um motivo. O que ele te disse?

- Isso não importa agora...

- Me diz o que ele falou!

- Que queria transar comigo desde o começo! - Solto. - Ficou com raiva por você ter feito primeiro, ele ficou com raiva e me ameaçou.

Richard solta meus ombros e sorri de leve. Tento examinar sua expressão esperando alguma ação estranha mas ele só sorri e me dá um beijo na testa.

- Eu já volto, boneca.

Arregalo os olhos e fecho a porta me colocando na frente assim que eu percebo que ele já estava com a chave do carro na mão.

- Não!

- Eu vou e posso garantir que ele vai ficar de boca fechada.

- Meu Deus, não! Quer deixar ele com mais raiva?

- Eu tenho minhas armas, linda. - Sorri e me dá um beijo, um puta de um beijo.

Coloco minhas mãos no seu pescoço e sinto meu corpo ser girado minimamente.

Ele se separa e eu ainda estou de olhos fechados, sinto um beijo na minha têmpora e suas mãos deixarem a minha cintura.

Sorrio e coloco as mãos no meu lábio ainda sentindo sua boca na minha, cada detalhe desse homem me deixa maluca.

Tão maluca que eu...

Abro os olhos rapidamente quando escuto a porta ser fechada e os arregalo no mesmo instante.

Vou até a porta e percebo ela trancada. Ele me trancou para dentro de casa?!

- Seu desgraçado! - Grito, sem me preocupar com isso vizinhos. Esse idiota tentou me distrair com um beijo.

- Desculpa, boneca! - Escuto sua voz do outro lado da porta e sinto vontade de socar sua cara. - Tem pizza na geladeira, pedi a que você gosta!

- Eu vou matar você!

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