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Dhiovanna Barbosa.


- Ele fez a inicial do seu nome com as mãos. - Isabel murmura. - Não seja sonsa.

- Ele é cristão, deve ter sido algo sobre Deus, eu não sei- Respondo e ela me olha e revira os olhos. - Não pode rir, não está diferente!

- Não enche, estamos falando sobre você! - Ela responde. - E eu estou bem diferente sim, tá bem?!

Ela está indo devagar, de fato, mas da mesma forma não está tão diferente.

- Quando a Lívia chega, hein? Ela tá demorando

- Sabe onde ela deve estar - Sorri e eu reviro os olhos, claro.- Podemos cuidar do seu caso agora, o dela, no momento está ótimo

No momento.

Meu medo é de como isso vai acabar

É óbvio que a corda pesa mais para o lado dela, ia ser demitida e provavelmente chamada de vadia pela imprensa.

Ela está tão envolvida que aos poucos esquece o que está em jogo, e eu entendo.

- Eu tenho que ir. - Minha amiga murmura encarando o celular e eu não evito minha carranca, é sério?

- Estamos na nossa casa e em uma quarta-feira a noite. - Reclamo e ela sorri me mandando um beijo e saindo do apartamento.

Olho para a janela, curiosa e sorrio de lado quando vejo um carro preto e de vidros fechados dentro do condomínio.

Arregalo meus olhos quando os vidros se abaixam e Joaquín Piquerez me dá um tchauzinho com as mãos.

Fui pega no flagra.

Levanto a mão e sorrio amarelo, fechando as cortinas quando vejo Isabel se aproximar do carro.

Me jogo no sofá observando cada detalhe dessa casa, o silêncio é até reconfortante.

Não costuma ser assim, nem aqui é muito menos no Rio de Janeiro

Solto uma risada contida me lembrando de como as coisas eram lá, conseguiam ser melhor ainda quando o Gabriel e Isabel ainda estavam juntos.

Era um casal perfeito, ela era o Gabriel em uma versão melhorada e feminina, fez tão bem para o meu irmão e até hoje eu não entendo o termino repentino.

Me lembro dos inúmeros ensaios que Isabel já fez com ele, os gols dedicados, a única coisa que ela não fazia muito era em relação aos jogos, mas nos mais importantes ela sempre estava lá.

Era definitivamente o casal do século, acho que não vou superar nunca.

Mas parece que ela sim, o que é ótimo.

Ele me parece ser um cara bom, se fizer bem para ela está ótimo e eu torço muito para o meu irmão achar alguém também.

Olho para a luminária e sorrio de lado ao pensar que as minhas duas amigas devem tá fazendo algo bem mais interessante do que eu agora.

Com certeza qualquer coisa é mais interessante do que ficar no sofá olhando para o teto, Dhiovanna.

Franzo o cenho quando escuto a campainha tocar e decido ignorar, deve ter errado o apartamento, o porteiro não avisou.

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