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Isabel Sanchez

Encosto minhas costas na parede no momento em que vejo Dhiovanna cruzar o corredor e mando uma mensagem para o Veiga, dizendo que ela está descendo.

Lembro que um dia Joaquín me mandou mensagem pelo celular dele quando ficou sem bateria e bom, está aqui até hoje.

Dhiovanna não derramou uma lágrima e eu sabia que queria ficar com ele agora. Não que eu esteja muito diferente, mas acho que não preciso dizer o quão complicada é essa minha situação.

Abro o Instagram e pesquiso o nome de algumas páginas de fofoca, em algumas tem até uma foto borrada do carro e dou um sorriso mínimo quando vejo que realmente postaram o que eu disse.

Céus, eu nunca pensei que um grupo de pessoas poderia me irritar tanto.

Franzo o cenho e olho para frente quando um capuccino é colocado na minha frente. Gabriel estende o líquido na minha direção sem me olhar diferentemente.

- Está com pouco açúcar, bebe. - Ele estende outra vez e eu pego, dando um gole pequeno e percebendo que está exatamente do jeito que eu gostava. Dou uma risada ao perceber que o filho da puta não tinha esquecido.

E já faz tanto tempo.

- Obrigada. - Agradeço e tento fingir certa indiferença ao me sentar na cadeira, assim como eu fiz nesses anos. Não vai ser difícil fazer agora.

Estava me perguntando o que ele faz aqui. Imagina a minha cara quando cheguei no meu apartamento e foi ele quem abriu a porta.

Bom, nem tive muito tempo de pensar depois disso.

Entro no WhatsApp e vejo a única conversa arquivada. A única que não para de tentar falar comigo desde a última vez que me viu.

É patético, Isabel.

- Como você está?

- O que?

- Eu perguntei como você está.

Solto uma risada irônica e cubro meu rosto. Eu mereço.

- A Lívia estar nessa situação é uma droga, mas não precisamos virar amigos agora, Gabriel.

- Acredite em mim quando eu digo que não quero ser seu amigo, Isabel.

Engulo em seco e desvio o olhar, odiando a maneira como o meu corpo responde apenas por escutar ele dizer meu nome.

Mas, se tem uma coisa que não se deve fazer com uma pessoa que quer chorar, é perguntar se ela está bem

É como um botãozinho. Meus olhos marejam no mesmo instante e eu concordo levemente com a cabeça.

- Estou, sim.

- É a uma péssima hora. - Ele começa e eu o olho, percebendo que ele está olhando para as mãos e evitando olhar para mim. O que estranho, já que quem evita ele sou eu. - Mas quando tudo isso passar, nós dois precisamos conversar.

Não posso evitar a minha risada irônica, é tão absurdo que chega a ser engraçado.

- Eu não sei se preciso te dizer outra vez, mas nós dois não temos mais o que conversar, Gabriel. - O olho, sentindo meu corpo exausto e a mente mais ainda. - Dois anos, Gabriel. Isso não é o suficiente para me deixar em paz?

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