Isabel Sanchez
- Eu não sou feita de papel, Isabel. - Lívia resmunga enquanto eu coloco travesseiros em sua volta e eu reviro os olhos.
- Eu vou levar isso como um "obrigada por cuidar de mim, Isa!"
Ela sorri e eu também. Estamos em casa há umas horas.
Apesar dos protestos do Ríos, ela ficou no nosso apartamento mesmo. Na real isso foi decidido por uma rodada de "ímpar ou par" que eu, claramente roubei.
Me jogo do lado dela enquanto tiro a minha jaqueta.
- A quanto tempo você não trabalha?
- Ah, sei lá... - Murmuro a olhando, confusa com a pergunta. - Isso importa?
- Não quero que pare de fazer as coisas só porque eu me machuquei.
- Não diga besteiras, Lívia.
- É sério! - Ela resmunga e cruza os braços. - Se soubesse o quanto eu daria para estar trabalhando agora...
Me viro para ela e respiro fundo, não sabendo exatamente o que dizer.
Sei que ela sabe a proporção que isso tudo tomou, ela não encosta no celular há dias, só para atender algumas ligações dos pais dela.
Acho que ninguém sabe que ela foi para o hospital e o que de fato aconteceu, acho que é melhor assim.
- Gabriel está aqui. - Ela solta, me olhando e eu reviro os olhos.
- Eu infelizmente já percebi.
- Então vai na sala com ele porque eu estou morrendo de sono e só quero dormir um pouco. - Reviro os olhos e me jogo na cama outra vez, não tem coisa pior do que isso.
Lívia da um beijinho na minha bochecha e se vira, fechando os olhos. Me levanto e apago a luz do quarto enquanto fecho a porta, tenho certeza que o Richard vai voltar daqui um tempinho.
Ela não sabe, mas ele foi resolver toda essa situação no Palmeiras hoje e eu espero de verdade, que dê muito certo.
Vou até a cozinha ignorando o cara sentado no sofá e pego um copo de água, dando uns bons goles e respirando fundo. Essa situação toda me deixava nervosa.
Dou uns passos para trás mas me viro rapidamente quando percebo que bati em algo.
- Devia olhar por onde anda, linda.
- E você devia ir para a sua casa. - Reviro os olhos e deixo o copo na pia.
- Talvez... - Ele sussurra e eu reviro os olhos, me afastando. - Mas antes precisamos conversar
- Puta merda, como você é chato!
Desvio dele e marcho em direção a porta da cozinha, mas Gabriel segura meu pulso e me mantém no lugar.
- Dez minutos, Isabel. É o que eu peço.
- Pedir? Desde quando você faz isso? - Reviro os olhos e me solto do seu aperto, não suportando como meu corpo reage ao seu toque. - Por que não me deixa em paz de uma vez? Nós não temos nada para conversar.
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Sobre Nós
Aléatoire"Proibição não apaga desejo, só o alimenta." ~~~~~~ Lívia Alencar é fisioterapeuta do Flamengo, apaixonada pelo clube desde criança e querida por todo o elenco rubro-negro. Quando recebe uma proposta quase irrecusável para trabalhar em São Paulo, no...
