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Luca era o príncipe de Rosewood High. Popular, bonito, confiante. Era assim que todos o viam. O filho perfeito dos Salvatores.

Mas atrás dos sorrisos e do jeito despreocupado, ele carregava um peso que ninguém imaginava. Desde o desaparecimento da Davina, cada passo era um esforço para não desmoronar.

Nos corredores, Jason e Caleb o acompanhavam como sempre. As risadas, as piadas, tudo parecia igual. Mas Luca sentia os olhares de pena que se fixavam nele.

— Cara, não liga. — Jason murmurou, notando quando alguns alunos cochichavam sobre Davina.

Luca fechou o armário com força, respirando fundo. — Eles não têm ideia do que estão falando.

E seguiu o corredor como se nada tivesse acontecido. Era melhor ser o arrogante do que o garoto quebrado.

À noite, a mesa de jantar estava posta. Caroline havia preparado tudo, tentando trazer alguma normalidade para dentro da casa.

— Então, Luca, como foi o treino? — ela perguntou, com um sorriso esperançoso.

— Normal. — ele respondeu, mexendo na comida sem comer de verdade.

Stefan observava em silêncio, preocupado. Caroline insistiu: — Você precisa se alimentar, filho.

Luca ergueu os olhos, frios. — Qual a diferença? Nada vai mudar. Ela não vai voltar.

O silêncio caiu. Caroline respirou fundo, mantendo a calma. — Eu sei que dói. Mas Davina não ia querer te ver assim.

— Você não entende. — Luca rebateu, a voz embargada. — Ela era minha irmã.

Caroline estendeu a mão, tocando a dele com firmeza. — Ela também era minha filha. Pode não ter nascido de mim, mas eu a amava como se fosse. Ainda amo.

Luca hesitou, os olhos marejando por um instante, mas logo recuou, erguendo de novo a máscara. — Eu não quero falar sobre isso.

Ele largou os talheres e se levantou, deixando Caroline e Stefan em silêncio.

Mais tarde, quando Luca desceu para beber água, encontrou Damon na sala, recostado no sofá com um copo de uísque na mão.

— O pequeno príncipe Salvatore. — Damon comentou com um sorriso sarcástico. — Continua fingindo que está tudo bem?

Luca não respondeu, apenas serviu um copo de água.

— Eu conheço essa cara. — Damon continuou. — É a mesma que seu pai fazia quando tentava esconder o mundo inteiro dentro dele.

Stefan apareceu no corredor, cruzando os braços. — Damon, não é hora.

Mas Damon insistiu, olhando diretamente para Luca: — Fingir só funciona até certo ponto. Mais cedo ou mais tarde, a dor transborda.

Luca, firme, respondeu: — A dor não some, Damon. A gente aprende a conviver com ela.

Damon ficou em silêncio por alguns segundos, surpreso com a maturidade nas palavras. Depois, levantou o copo num brinde silencioso e deixou o assunto morrer.

Naquela noite, Luca atravessou o corredor em silêncio e abriu a porta do quarto da irmã. Estava tudo do mesmo jeito. As roupas ainda no armário, os livros empilhados, o perfume no ar.

Ele se sentou na cama, pegando uma foto em que Davina sorria ao lado dele. O peito apertou, mas não deixou as lágrimas caírem.

Caroline apareceu na porta, hesitante. — Não consigo dormir quando sei que você está aqui sozinho.

Luca segurou a foto com força. — Eu só... não quero esquecer dela.

Caroline entrou, se aproximando devagar. — Você nunca vai esquecer. Ela sempre vai ser parte de você. Parte de nós.

Ele engoliu em seco. Pela primeira vez, não afastou o abraço da mãe. Permaneceu ali, em silêncio, deixando-se acolher por alguns instantes.

Deitado na própria cama mais tarde, Luca encarava o teto. O celular vibrava com mensagens de amigos sobre festas, planos, treinos. Ele ignorou todas.

Não havia como explicar. Ninguém entenderia. Ele era o irmão mais velho agora, o que restava. Precisava ser forte, mesmo que por dentro estivesse em pedaços.

No escuro, sussurrou para si mesmo:

— Eu vou carregar você comigo, Davina. Sempre.

E fechou os olhos, deixando a máscara perfeita de Luca Salvatore cair, ainda que por alguns minutos.

E fechou os olhos, deixando a máscara perfeita de Luca Salvatore cair, ainda que por alguns minutos

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