Em Rosewood, segredos nunca ficam enterrados por muito tempo.
Quando Davina Salvatore - a garota mais popular, manipuladora e irresistível do colégio - desaparece misteriosamente após um ensaio de líderes de torcida, a pequena cidade mergulha no cao...
A casa da Hanna estava silenciosa, exceto pelo som baixo da TV ligada em algum programa que nenhuma delas realmente assistia. As quatro estavam reunidas na sala, cada uma carregando a própria ansiedade como uma sombra.
Spencer andava de um lado para o outro, sem conseguir parar. Emily mexia nas unhas até machucar a própria pele. Aria abraçava um travesseiro contra o peito, enquanto Hanna olhava para o celular como se esperasse a próxima bomba de A.
— Não aguento mais isso. — Aria murmurou, quebrando o silêncio. — Cada vez que meu celular vibra, sinto que meu coração vai parar.
— Você não é a única. — Emily acrescentou, a voz baixa. — Eu já acordo com medo, já vou dormir com medo. Não consigo mais treinar direito. Não consigo... ser eu.
Spencer parou, virando-se para elas com intensidade nos olhos. — É exatamente isso que A quer. Que a gente viva com medo. Mas eu não vou dar esse gosto.
Hanna ergueu o olhar, cansada. — E o que você vai fazer, Spencer? Porque até agora, a única coisa que conseguimos foi ficar cada vez mais ferradas.
Spencer apertou os punhos. — Eu vou descobrir quem está por trás disso. Nem que eu precise virar Rosewood de cabeça para baixo.
O celular de Hanna vibrou de repente. Todas prenderam a respiração. Hanna pegou o aparelho com as mãos trêmulas.
"Segredos não ficam enterrados. Davina sabia disso. Vocês sabem disso. E eu sei também. –A"
As quatro se entreolharam, pálidas.
Emily sussurrou, quase sem voz: — Será que A... sabe de mais do que a gente imagina?
Spencer pegou o próprio celular, lendo a mensagem de Hanna de novo, com o rosto fechado. — A sempre sabe mais. Sempre.
Por alguns minutos, o silêncio dominou a sala, pesado, sufocante. Até que Hanna respirou fundo e disse:
— Eu só queria que a Davina estivesse aqui. Ela podia ser cruel, mas... ninguém enfrentava as coisas como ela.
Todas ficaram quietas. Porque sabiam que era verdade.
A mansão Salvatore estava mergulhada em penumbra quando Luca desceu as escadas. Stefan e Caroline já dormiam, mas uma luz fraca vinha do escritório.
Ele sabia que era Damon. Desde a visita anterior, aquelas palavras não saíam da cabeça dele. Talvez porque, pela primeira vez desde o desaparecimento da irmã, alguém tivesse dito algo que soava verdadeiro.
Luca hesitou na porta, mas finalmente entrou. Damon estava recostado na poltrona, um copo de uísque na mão e um olhar distante.
— Não consegue dormir? — Damon perguntou sem olhar para ele.
— Você também não. — Luca respondeu, fechando a porta atrás de si.
Um silêncio breve caiu, até que Damon ergueu os olhos, estudando o garoto. — Então... decidiu vir ouvir sermão de tio?
Luca sentou-se de frente para ele, apoiando os cotovelos nos joelhos. O tom foi mais baixo do que pretendia. — Eu não sei mais o que fazer.
Damon franziu o cenho, surpreso pela honestidade. — Isso já é um começo.
Luca respirou fundo, tentando controlar a emoção. — Todo mundo olha pra mim esperando que eu seja forte. Que eu continue sorrindo, jogando, sendo o Luca de sempre. Mas eu não sou mais o mesmo. Eu acordo todo dia com um buraco aqui dentro... — ele bateu a mão no peito, a voz falhando. — E ninguém entende.
Damon o encarou por alguns segundos antes de beber mais um gole. — Eu entendo.
— Não, você não entende. — Luca rebateu, rápido. — Você não era irmão dela. Você não cresceu com ela. Você não...
— Eu perdi minha mãe. — Damon interrompeu, firme. —Perdi amigos que eram como irmãos. E cada vez que eu achava que não tinha mais como sentir dor, a vida me mostrava que sempre dá pra sofrer mais.
Luca ficou em silêncio, o olhar preso no chão.
— Você tem razão. — Damon continuou, a voz mais baixa. — Eu não era irmão da Davina. Mas ela era minha sobrinha. E mesmo com todo o jeito difícil, com toda aquela pose, eu vi o quanto ela era parte de você. O quanto vocês se completavam.
Os olhos de Luca marejaram, mas ele não piscou. — Eu só queria ter tido mais tempo.
— Sempre queremos. — Damon disse, e dessa vez não havia sarcasmo algum em sua voz. — Mas aqui vai a parte que você não vai gostar de ouvir: a dor nunca some. Você aprende a viver com ela. A usar como combustível.
Luca ergueu os olhos, confuso. — Combustível pra quê?
Damon se inclinou, olhando-o diretamente. — Pra não se tornar apenas mais um fantasma. Você tem uma escolha: ou vive o resto da vida enterrado com ela, ou honra quem ela foi, mesmo com todas as falhas.
O silêncio pairou pesado entre os dois. Luca respirou fundo, deixando finalmente uma lágrima escorrer pelo rosto.
— Eu sinto tanto a falta dela... — sussurrou, quase como uma confissão.
Damon apenas pousou a mão sobre o ombro dele. Não havia palavras para preencher aquele vazio, mas naquele gesto, havia compreensão.
Pela primeira vez desde o desaparecimento da irmã, Luca sentiu que não estava carregando o peso sozinho.
Na mesma noite, enquanto Luca se recolhia ao quarto, as meninas ainda estavam na casa da Hanna. Nenhuma delas havia conseguido dormir.
Spencer encarava o próprio reflexo no espelho da sala. Estava pálida, com olheiras profundas, os olhos cheios de cansaço.
Emily se aproximou, tocando de leve o braço dela. — Você não pode se destruir assim.
Spencer respirou fundo, sem desviar os olhos do reflexo. — Não sou eu que estou me destruindo. É A.
Emily engoliu em seco. Nenhuma delas sabia como vencer alguém que parecia sempre estar um passo à frente.
E do lado de fora, Rosewood dormia. Mas o jogo estava apenas começando.
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