18

4 0 0
                                        

Spencer Hastings sempre fora a mais meticulosa. Desde o desaparecimento da Davina, porém, havia se transformado quase em uma detetive. A biblioteca de Rosewood High parecia mais sua casa do que a própria casa dos Hastings.

Sobre a mesa, estavam espalhados livros, anotações, recortes de jornais sobre desaparecimentos antigos. O rosto de Davina sorria em uma das fotos, cercado pelas amigas durante o último campeonato de líderes de torcida.

Emily se aproximou, carregando uma pilha de livros. — Você já não acha que está exagerando?

Spencer ergueu os olhos, irritada. — Exagerando? Emily, a gente está sendo caçada. A sabe tudo sobre nós, e ninguém mais além da gente parece perceber a gravidade disso.

— Eu percebo. — Emily respondeu, firme. — Só não acho que você vá encontrar A em registros antigos de polícia.

Spencer bufou, passando a mão pelos cabelos. — Eu não vou ficar sentada esperando ser o próximo alvo.

No pátio da escola, Hanna conversava com Mona, que gesticulava animada sobre o novo projeto do clube de tecnologia. Hanna sorria, tentando acompanhar, mas sua mente estava em outro lugar.

— Hanna? Você está me ouvindo? — Mona perguntou, franzindo a testa.

— Sim, claro... — Hanna respondeu rápido. — É que... eu não consigo parar de pensar nela.

Mona suavizou o olhar. — Eu também sinto falta da Davina. Mesmo que ela nunca tenha gostado de mim.

Hanna desviou os olhos, desconfortável. — Ela podia ser... difícil. Mas era nossa amiga.

Mona assentiu, e por um momento, as duas ficaram em silêncio. Até que os celulares vibraram ao mesmo tempo.

"Segredos não ficam enterrados para sempre. O próximo a sair pode ser o seu. –A"

Hanna fechou os olhos, engolindo em seco. Mona mordeu o lábio, inquieta.

Aria estava no café, tentando se concentrar em um caderno de desenhos. Ezra se aproximou com dois cafés e se sentou ao lado dela.

— Você parece a quilômetros de distância. — ele comentou, empurrando o copo para ela.

Aria sorriu sem ânimo. — Estou só cansada.

Mas por dentro, sua mente estava em outro lugar: A. As mensagens não paravam, cada uma mais ameaçadora que a outra. Era como viver com uma bomba-relógio prestes a explodir.

Ezra não insistiu. Apenas pousou a mão sobre a dela, em silêncio.

No vestiário, Emily arrumava a mochila quando Paige se aproximou.

— Você está bem? — Paige perguntou, tocando de leve o braço dela.

Emily forçou um sorriso. — Sim, só... pensando em coisas.

Paige a estudou por um instante, mas não pressionou. Emily odiava mentir, mas como explicar que uma figura invisível estava destruindo sua vida?

Enquanto isso, na mansão Salvatore, Luca estava no jardim, praticando arremessos de basquete sozinho. A bola batia no chão e ecoava pelo espaço silencioso.

Damon se aproximou, mãos nos bolsos, observando por alguns segundos antes de falar:

— Você parece alguém que tenta enterrar a dor no asfalto.

Luca não respondeu, apenas pegou a bola e arremessou de novo.

— Sabe, eu entendo. — Damon continuou. — Perdi pessoas demais para contar. A diferença é que eu bebo o suficiente para esquecer. Você tenta se enterrar em perfeição.

Luca parou, olhando para ele. — Isso não é da sua conta.

— Talvez não. — Damon concordou, erguendo os ombros. — Mas você não é o único que sofre.

— Ela era minha irmã. — Luca rebateu, a voz falhando pela primeira vez.

Damon se aproximou, sério. — Ela era minha sobrinha. Eu também perdi.

Luca desviou o olhar, apertando a bola com força. — Todos falam dela. Todo mundo lembra dela como se fosse perfeita. Mas ninguém entende o que significa acordar todos os dias e perceber que ela não está mais aqui.

Damon, por um instante, deixou o sarcasmo de lado. — Você tem razão. Ninguém entende. Mas você não precisa carregar isso sozinho.

Luca riu amargo. — Eu sou um Salvatore. Eu aguento.

Damon inclinou a cabeça. — Não confunda aguentar com se destruir.

O silêncio pairou por alguns segundos. Depois, Damon deu um tapa leve no ombro dele. — Quando cansar de fingir, me procura. Eu sei mais sobre sobreviver a fantasmas do que você imagina.

E saiu, deixando Luca sozinho com seus pensamentos. Pela primeira vez, ele permitiu que uma lágrima escapasse, rápido demais para ser notada.

De volta à escola, Spencer digitava freneticamente no computador da biblioteca. Emily a observava, preocupada.

— Você não pode passar noites em claro assim.

— Eu estou perto. — Spencer murmurou. — A não pode ser alguém que apareceu do nada. Essa pessoa conhece a gente. Conhecia a Davina.

Emily se encolheu, assustada. — Não fala assim. Parece que ela está... aqui.

Antes que Spencer pudesse responder, o celular vibrou:

"Boa tentativa, Spencer. Mas você nunca vai me alcançar. –A"

Spencer deixou o aparelho cair sobre os livros, a respiração acelerada. Emily tocou o braço dela, mas não havia nada a dizer.

À noite, as quatro se encontraram na casa da Hanna. Nenhuma queria admitir, mas estar juntas era a única forma de não enlouquecer.

Aria se encolheu no sofá. — Eu não aguento mais essas mensagens.

— Ninguém aguenta. — Spencer respondeu, firme. — Mas temos que continuar. Se a Davina estivesse aqui, não ia deixar a gente se entregar.

Emily assentiu, e Hanna completou, baixinho: — Ela sempre foi mais forte do que a gente.

O silêncio tomou conta da sala. Nenhuma delas sabia como derrotar A. Mas pelo menos, ainda tinham umas às outras.

 Mas pelo menos, ainda tinham umas às outras

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Vadias Mentirosas Onde histórias criam vida. Descubra agora