A pressão da água caindo sobre minhas costas fazia uma massagem tão gostosa que fechei os olhos e abaixei a cabeça, aproveitando todo o relaxamento dos músculos. Respirei fundo algumas vezes, prolongando a sensação.
A semana havia sido terrivelmente longa fora de casa, no trabalho, e toda a rotina dos dias parecia mais uma batalha de gladiadores. Essa foi uma das razões pelas quais não lavei o cabelo, apenas o prendi desajeitadamente no alto da cabeça. Mesmo assim, os fios que escaparam grudaram na nuca. Revirei os olhos, ainda fechados, mas um som de "click", por cima do barulho do chuveiro, capturou minha atenção.
Abrindo os olhos, a primeira coisa que vi foram meus dedos pintados com francesinhas tortas, já começando a enrugar. Erguendo o rosto, notei que havia muito mais vapor do que o comum e, através do box de vidro, vi pela visão periférica uma silhueta branca. O grito foi instantâneo, e a sombra branca gritou junto. Com a mão no coração acelerado pelo susto, comecei a rir, o corpo aceso pela adrenalina.
— Ya! Você quase me matou de susto!
Abri a porta segurando a maçaneta em formato de bola.
— Não! Você é que quase me matou — apontei para o homem de cabelo loiro. — Por que entrou aqui sem avisar? Só percebi pelo estalo alto que essa maçaneta faz! Meu Deus.
Quando vi seus olhos por trás das lentes dos óculos levemente embaçados, senti a mesma sensação de anos atrás: conforto. E então meu coração foi se acalmando enquanto a gente se olhava, rindo.
Jimin vestia uma camisa solta com os botões superiores abertos, expondo o presente que eu lhe dera duas semanas atrás.
— Me desculpe, amor. Eu não queria te assustar, mas vi o relógio do gás no vermelho por causa do chuveiro ligado. Como é que você não cozinhou com a água nessa temperatura?
— Ah, eu... eu já estava saindo. A água quente me ajuda a relaxar.
— É, eu sei, mas você pode se machucar desse jeito.
— Não exagera. — Puxei a toalha pendurada no alto do box e logo fechei o registro de água. — Você já vai?
Vi-o revirar os olhos para mim.
— Tenho duas horas antes de sair. Não quer comer comigo? — cruzou os braços, me observando secar o corpo.
Jimin tinha seu lado tímido, mas não lhe cabia vergonha, principalmente quando encarava coisas do seu interesse. Seus olhos nos meus seios não tiveram disfarce.
— Eu acho mesmo que você quer comer outra coisa. — Não escondi a malícia no tom.
Ele mordeu o lábio, dando passos na minha direção.
— Pulou cedo da cama e foi direto resolver coisas no computador — seu indicador e polegar encontraram meu queixo, fazendo-me olhá-lo. — Não tomou café da manhã comigo, também não quis fazer amor.
— Não é nada com você.
— Eu sei que é. Fica com raiva sempre que tenho que te deixar sozinha, mas não sabe disfarçar como gostaria.
Uni as sobrancelhas.
— Não faz sentido eu ficar com raiva porque você tem que trabalhar. — De perto ele parecia ainda mais angelical com aquele tom de cabelo contrastando com a pele clara. Mesmo assim, seu peito à mostra me fez salivar, ainda mais com o jeito sério que me olhava por cima dos óculos. — Não tem nada disso, Jimin.
— Viu só? Não me chamou de amor. O que foi, então? Por que parece descontente?
Soltei um suspiro involuntário e afastei sua mão suavemente.
