borboletas mortas

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thv  as
kim taehyung
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— Quantas vezes tenho que dizer para não me ligar? — sibilei escutando a risada dele do outro lado da linha

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— Quantas vezes tenho que dizer para não me ligar? — sibilei escutando a risada dele do outro lado da linha.
— Oh, não está sozinha?
— Para de ser cínico! — olhei pelo vão da porta, afastando-me para perto de outra — Te falei que teria um jantar na casa da mãe do Yunseok.
— Você sequer gosta dessa mulher. É sua quase ex-sogra.
— Isso não é da sua conta, Taehyung!
— Era só não ter atendido  — havia sarcasmo em sua voz grave — Mas atendeu. Como está sendo o jantar?
— Por que ligou? Você nunca cumpre o combinado. Eu ligo, entendeu?
— Liguei porque não me deu atenção o dia todo. Mal respondeu às minhas mensagens e nem confirmou nosso próximo encontro.
— Meu Deus, você só pode ter perdido a noção! Vou desligar — houve silêncio e hesitei em finalizar a ligação — Taehyung?
— Eu sou mesmo um idiota, hm? Fiquei esperando que retornasse pelo menos as mensagens de mais cedo, porque disse que não estava sentindo-se muito bem — riu seco — Mas tudo bem, darling. Aproveite o jantar e tenha uma noite agradável. Até mais.
— Ei, espera. Taehyung. Tae? — ele desligou.
Abaixei o aparelho respirando fundo. Que merda.
— Noemi? — Yunseok chamou.
Lee Yunseok, CEO, alto e bonito feito um modelo e meu marido. O marido que eu traía.
— Estou aqui.
Ele não demorou para me achar dentro da biblioteca da mansão de sua mãe.
— Oh, o que está fazendo aqui, Jagi?
— Era do trabalho — mostrei o celular. A mentira saiu naturalmente — Mas não consegui resolver. Provavelmente terei muita coisa para fazer amanhã.
O homem esticou os lábios.
— Sinto muito, mas sabemos que vai dar conta. Então vamos, estão esperando por nós na mesa — pegou minha mão — Mamãe fez sua comida predileta.
— Ela é muito generosa.
Entrelacei meus dedos e como nos últimos dois anos, não havia mais calor. Era como segurar a mão de um estranho pela primeira vez. Yunseok sorriu gentilmente afagando minha pele, avançou para um beijo, eu queria beijá-lo, o fiz segurando seu rosto liso.
As borboletas no meu estômago não se mexeram. Mesmo assim, continuei. Ele era ótimo com toques e o beijo lento com a mão deslizando por minhas costas causava certa vontade. E passava com rapidez.
Ele encarou meus olhos.
— Vamos terminar rápido aqui. Quero passar o restante da noite a sós com a minha esposa.
— Não seja apressado, Yun-ah.
— Mas estamos tão distantes... Eu te quero hoje. Preciso de um pouco de suor e carinho.
— Suor e carinho? Para depois reclamar que sou insaciável e te deixo cansado demais?
— Podemos pegar leve, Jagi — passou o polegar no meu lábio — Você deveria aprender a pegar mais leve, também é bom.
Me controlei para não revirar os olhos.
— Está pedindo para fazer amorzinho, é? — brinquei vendo suas sobrancelhas unidas.
Yunseok tombou a cabeça de lado pegando minha cintura para colar nossos corpos.
— Jagiya, sou um homem viril e maduro. Posso fazer uma mulher como você ter satisfação.
Bobagem, pensei. Ele estava longe de ser esse tipo de homem.
— Yunseok, filho? Venham logo!
— É melhor nós irmos — selei seus lábios rápido, me desvencilhando em seguida.
Minha consciência já pesou muito no início. Mas agora vendo ele conversando com os pais sobre suas conquistas pessoais e como fica cada dia mais rico, só tive vontade de rolar meus olhos.
Eu já amei muito aquele homem. No início foi amor, daqueles que te deixam cega e surda, pronta para pular de cabeça dentro de um vestido branco, véu e grinalda.
Se arrependimento matasse...
Nunca soube explicar bem como foi que tudo foi desaparecendo dia após dia, noite por noite até todo o fogo da paixão se apagar. Neste momento, conheci Kim Taehyung. O homem mais bonito que meus olhos já viram caminhando nesta terra. E também o mais perigoso.
Foi em um coquetel chato onde Yunseok bebeu e esqueceu da existência da esposa dando atenção apenas para os amigos engravatados. Kim surgiu entre eles e desde o primeiro momento em que meus olhos encontraram os seus tão intensos quanto o centro de um redemoinho, nunca mais senti tédio.
Nunca mais fui a mesma. Ele veio parar na minha vida de forma inesperada e deixei que ficasse, mesmo às escondidas na sombra.
Enquanto comia a sobremesa que minha sogra tinha preparado pensando em mim, outra vez travei uma batalha com o bom senso, com a responsabilidade que estava anulando e meu caráter duvidoso.
Eu era mesmo uma biscate por trair meu homem? Ou apenas uma mulher nem tão culpada, mas também não tão vítima? Fato era que eu não fazia muito esforço para sair de onde me encontrava. Entre quem amei e quem estava prestes a me enlouquecer.
Suspirei dando outra colherada.
— Tudo bem, querida?
— Ah, tudo sim. Estou só um pouquinho cansada — respondi a mais velha.
Soiyu era uma mulher maravilhosa e de bom coração. Sempre tive medo de decepcioná-la, pois sempre fora tão boa para mim. Mesmo mimando o filho ao último, dando-me as consequências para colher.
Infelizmente, quando ela soubesse que eu trepava com outro mesmo dormindo na cama do filho único, aí sim, eu veria o outro lado dela. Porque por mais que nunca quisesse que minha infidelidade viesse à tona, era melhor já esperar e me preparar.
Mentiras não duram muito. Não tanto quanto os mentirosos precisavam.
Terminando o momento família fiz cara de pobre coitada dizendo estar exausta demais para ficar mais tempo. Então Yunseok nem insistiu e nos despedimos para irmos para casa. E ele não me deu paz. Começou a beijar meu pescoço na porta da entrada, apertando minha cintura mesmo sabendo que eu sempre preferia outro lugar.
Acabei cedendo pelo tesão que seus toques gostosos causavam.
Yunseok era calmo durante o sexo. Gostava de tirar peça por peça do meu corpo, tocando os pontos sensíveis sem se demorar muito.
— Já disse o quanto é linda, Noemi? Por Deus, mulher.
— Yun-ah, ande logo com isso. Estou pronta.
Abri as pernas, mas ele passou sem parar onde eu queria.
— Quero que me olhe, Jagiya.
— Uhum.
Lento, nós fizemos amor. Se é que restavam algum entre nós. Yunseok sussurrou no meu ouvido, mordiscando minha orelha.
— Você é só minha.
Ah, querido... Se você soubesse.
— Só sua — respondi. E pensar que se Taehyung soubesse que tinha lhe dado uma resposta daquelas ficaria possesso de ciúme, me deu mais tesão.
Meu castigo divino estava garantido, sem dúvidas.
Yunseok tomou um banho, me deu um beijo de boa noite e dormiu. Eu até tentei acompanhar, porém não preguei os olhos.
Ao cair da madrugada, a culpa me surrava forte. Quando minha cabeça encostou no travesseiro eu via o rosto sereno de Yunseok adormecido, meu coração pesava pois ele não merecia alguém como eu. Uma falsa mentirosa.
Me levantei para chorar um pouco, mas depois das lágrimas secas, chequei o celular rolando pelas mensagens de Taehyung. E de repente recebi mais uma.


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