O Diabo de Todas as Noites

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Todas as expressões tristes que saem do seu rosto parecem mensagens para mim.

Nossas bochechas já se cansaram juntas um dia,

e é doentio que a tristeza tenha se impugnado em nossa existência mutua. 


Em mim, li, tudo sobre Eósforo e a estrela d'Alva,

nossas biblías sagradas no reverso, 

converso com você todas as madrugadas, como um ritual satânico,

temo, com todas as forças, mas não sei se as luzes piscando,

são seus sinais ou a minha fé, 

sinto que quando a noite chega,

você está aqui. 


As vezes me mato, para que eu possa ter vislumbres de você,

fico feliz que minha oferenda ainda está sob sua pele,

onde seus demônios se encostam,

sem saber da história e das cicatrizes,

que entrelaçam esses fios. 


Já não dói mais, mas não paro de pensar

quanto tempo

até esse pacto se quebrar? 


Porque ambos sabemos,

que a profecia não vai se quebrar,

enquanto minha alma

você não vir buscar. 


Quando a hora chega,

e não existem anjos,

eu sei que você pensa

sobre mim. 


Tudo está mudando, e se sua pele está apodrecendo, imagine pelo o que a minha está passando. 

Nossas histórias estão se desenvolvendo,

enfim, o tempo está acabando e filhos estão chegando,

há sangue de diversas virgens em mim, 

e entre tantos rituais, minha face e mente antigas

acabaram se alterando. 


Mas você conhece minha carne e minha alma,

então me deixe ser, 

seu segredo de todos os dias,

sua saudade de todas as madrugadas, 

seu pesadelo de todas as manhãs,

seu diabo de todas as noites.






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