21 - James

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Ninguém me contou que ia ter uma coletiva de imprensa, e eu acho que foi de propósito, para todo mundo ir no traje correto. Os cientistas com seus jalecos, nós com nossas roupas casuais de quem só foi conhecer o lugar que viraria minha segunda casa, e os Black como se fossem donos do último poço de petróleo do mundo.

Alias, também ninguém me contou que eles estariam lá. Sinceramente eu não sei se meus pais sabiam e não me contaram, ou se também foram pegos de surpresa. Mas eu gostaria de poder ter tido a oportunidade de me preparar emocionalmente para ver Regulus. Porque, quando nossos olhares cruzaram, eu senti que via um espectro e não uma pessoa.

Tão mais pálido, tão mais magro, olheiras profundas que até a maquiagem para imprensa tinha dificuldade de esconder. A expressão rígida deixava claro, ele não queria me ver, ele não tinha me perdoado, talvez nunca perdoasse. E por isso eu deveria deixá-lo em paz. 

Então segui o roteiro lógico, sentei na minha cadeira, agradeci por tudo que tinha de agradecer (ainda que eu odiasse os principais investidores), sorri, apertei mãos, posei para câmeras, ri e agradeci mais um pouco.  

E, como tudo tudo nessa vida tem um preço, fui obrigado a parecer não estar completamente enojado ao ouvir o discurso de Órion Black que se gabava da pseudo incrível criação que deu aos seus dois filhos. 

O que mais dói é que, mesmo sendo pais tão terríveis, eles podem se gabar da geniosidade dos filhos, Sírius e Regulus Black são, de fato, aquilo que os pais jamais foram e jamais poderiam ser.

Quando o evento acabou, não demorou muito para que os Black junto da diretoria do Centro sumissem. Tarefas de gente importante, é claro. E eu, já entendiado com a conversa sobre produtos capilares com pesquisadores da área de cosméticos que meu querido pai mantinha como refém, decidi ir me refrescar um pouco.

Levei algum tempo achando o banheiro, por algum motivo as placas indicativas parecem cada vez mais confusas com o passar do tempo, mas fiquei feliz quando decifrei que o "i" representava o masculino e "¡" feminino.

Felicidade leviana que sumiu assim que me deparei com as costas de  ossos marcados e os braços brancos cheios de curativos que quase  se mesclavam a pele, algum deles pareciam  recentes, a mancha vermelha leve os transpassava.

"Regulus?" Chamei com receio de ter reconhecido corretamente.

O garoto que praticamente se debatia contra a pia ficou repentinamente estático.

Com muita calma e cuidado me aproximei, tendo medo de que ele pudesse fugir a qualquer instante que recaísse na realidade.

"Regulus?" Chamei de novo, agora mais próximo.

Lentamente o corpo frágil se virou na minha direção, e fui inspecionado de cima a baixo.

"Óculos novo?" A voz rouca perguntou.

"Sim, devo agradecimentos a..." Cocei a nuca pensando, mas acho que fiz algo errado, porque nos olhos vazios surgiu um lampejo de brilho lacrimal. "a você." completei, dando um último passo a frente. 

Um campo de força parecia me segurar. Mesmo querendo levar minha mão ao seus rosto, às suas feridas, eu senti que fazer isso seria como a pior das invasões, então só nos encaramos por algum tempo.

"Você se cortou?" Acenei em direção aos braços.

"Não do jeito autopiedoso e dramático que você deve estar pensando." A resposta foi rápida e afiada, Regulus Black ainda estava ali.

"Vindo de você, que não é adepto à autopiedade, com certeza deve ter sido dramático." 

"Ou talvez violento." Desafiou.

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⏰ Última atualização: Nov 09, 2025 ⏰

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