Elliot não sabia como Agnes estava, e nem queria saber, só queria esquecer tudo aquilo. É claro que se arrependia do que havia feito, mas não havia muito que pudesse fazer, visto que ficar com ela iria contra todos os seus princípios, precisava resistir até o último segundo, e tinha certeza que conseguiria fazer isso, é conseguiria... Caminhou até a casa de Natasha no meio da chuva e tentava frustradamente acender seu cigarro por baixo de seu capuz, mas conforme não conseguia ficava cada vez mais nervoso.
Quando chegou enfim à mansão dos Schnetzer, pode respirar aliviado. Natasha já o esperava na porta, usando um roupão e aparentemente com sono. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ligar para ela e atrapalhá-la, mas não havia mais ninguém que poderia contar. Elliot tinha uma relação nada estável com sua família, ora estavam bem, ora estavam mal de novo. E desde que Luda havia lhe dado aquele "carinhoso" aviso, estava evitando ter qualquer coisa até mesmo com Maddox.
- O que aconteceu?
- Deu vontade de vir aqui.
- O que realmente aconteceu?
- Não estou mais com Maddox e... Algumas coisas aconteceram e eu estou bem... mas bem excitado.
- Você bebeu?
- Um pouco. Natasha, podemos entrar? Está chovendo e eu honestamente não quero conversar.
- Não é assim que você vai me levar para a cama, mocinho. Mas vamos, venha comigo.
A loira o puxou e foram caminhando até a entrada da mansão. Não trocaram uma palavra sequer naquele meio tempo. Natasha sabia que tinha algo errado naquela história toda, mas honestamente não ligava muito, por mais que Elliot fosse seu amigo e dormissem juntos às vezes, ela se decepcionava bastante com suas atitudes e de uns tempos para cá, não poderia estar mais cansada dele. Porém nunca recusaria um bom sexo em situação alguma.
Subiram as escadas e enquanto caminhavam pelos corredores foram surpreendidos por Luda, que expulsava naquele momento uma garota de seu quarto. A menina parecia ter por volta de seus dezesseis anos, era magra, loira e por mais que parecesse ser nova pelo seu rosto, suas roupas diziam totalmente o contrário, já que se vestia como uma mulher adulta. Usava um vestido curto e salto bem alto, colocava apressadamente seu casaco visto que o rapaz falava algo como "Não, não, não vou te ligar". A expressão que ele fez quando viu Elliot em sua casa foi como se tivesse visto um parente detestável em uma festa de natal.
- Meu amigo Elliot... O que faz aqui?
- Não é da sua conta, Luther. - Natasha tentou puxar o escritor para dentro, mas seu irmão o chamou novamente.
- Voltaram com esse lance estranho que vocês tem? Pelo menos agora você está andando com pessoas da sua idade, não é mesmo?
- Vem, Elliot. Deixa o meu irmão para lá. - Finalmente entraram no quarto e a loira tirou o casaco de Elliot, colocando-o em seguida em um porta-casacos próximo.
O homem se sentou derrotado na cama já conhecida de Natasha e só conseguiu encarar ao nada. A jovem não perguntou nada e esperou que ele lhe dissesse algo, pois ela não queria ter que arrancar informações de um homem de vinte e nove anos, aquela situação era ridícula demais. Já estava cansada de todo o conformismo que Elliot tinha na maior parte do tempo, ou o fato dele se alienar a tudo ao seu redor.
Sem falar nada, se virou e beijou Natasha, que também estava sentada na cama a aquele ponto. Ela retribuiu o beijo, mas não entendeu muito o que estava acontecendo. Quando percebeu, ele já estava passando a mão por baixo de sua camisola e ela já estava tirando as calças do homem. Não sabia exatamente o porquê de estar transando com ele, pois sabia bem que a cabeça de Elliot estava em outro lugar, mas seu corpo não conseguia resistir a aquilo.
Por alguma razão, era bastante atraída pelo homem. Ele era diferente dos homens de seu círculo social, e isso lhe trazia uma certa paz. Estava acostumada com homens riquíssimos, cheios de si e que só pensavam em si mesmos. Sabia que Elliot também era um pouco egoísta, mas sabia que ele na maior parte do tempo não fazia porque queria, e sim porque era um tanto... desajeitado. Ele era o mais perto do que ela considerava o tipo ideal de homem, e por hora, era o melhor que tinha.
Já não restavam mais roupas que segurassem os dois. Elliot começou a penetrar Natasha com uma espécie de raiva, quase como se estivesse compensando por algo que não havia feito. Nunca havia o visto assim, mas honestamente não tinha do que reclamar, pois estava gostando bastante. Ela gemia alto, sem ligar se os empregados ou se seu irmão fossem ouvir, e se não fosse por um simples detalhe que viria a a acontecer, esse teria sido o melhor sexo de sua vida.
- Agnes... - O escritor gemeu baixo, chamando a atenção da loira em seguida.
- Quem?! - Natasha empurrou Elliot de cima dela e se cobriu com o cobertor. - Quem você chamou?
- Ninguém, eu...
- Você chamou pela Agnes. Eu ouvi muito bem.
Elliot não soube o que falar. Ela tinha razão, ele sabia disso. A loira não era burra ao ponto de acreditar em suas palavras, por mais que inventasse uma mentira extremamente convincente. Talvez ter ido para a casa da garota transar com ela tivesse sido o pior erro que pudesse ter cometido. Natasha merecia mais, e ele infelizmente sabia muito bem disso. Respirou fundo e se sentou na cama, com a garota ainda se cobrindo pelo cobertor.
- Me desculpe, eu... Algumas coisas aconteceram. Eu não deveria ter vindo aqui nesse estado.
- Você poderia ter simplesmente conversado comigo, em vez de fingir que queria algo comigo. Eu já percebi que a sua cabeça está em outro lugar, mas onde?
- Agnes... Agnes, Maddox e eu estávamos em um clube, ela começou a dançar na minha frente e... Eu nunca a vi daquele jeito, tão...
- Ela é doze anos mais nova que você, Elliot. É menor de idade.
- Eu sei. Por isso que eu não sei lidar com isso, sabe? Quando eu olho para ela, vejo alguém tão inteligente, tão... Ela não parece ter só dezessete. Eu não consigo tirar ela mais da minha cabeça.
- Eu entendo... Espere ela fazer dezoito, e se mesmo assim você ainda a quiser, vá atrás. Eu simplesmente cansei de você não tomando atitude nenhuma e depois vindo atrás de mim para buscar conforto.
- Natasha, eu...
- Eu não sou uma foda reserva! Você está me ouvindo? Eu não sou o tipo de garota que você fode por não ter mais nenhuma outra opção. E se você acha que está legal fazer isso, você está enganado. Agora se vista que vou te levar para casa.
Elliot se vestiu, e em seguida, Natasha também. Quando desceram as escadas, encontraram Luda novamente, mas dessa vez assistindo televisão na sala de estar. Era como se ele estivesse o esperando, e aquilo era assustador. Não sentia medo do garoto, mas desde que apanhou de seus amigos, esse sentimento começou a nascer dentro de si, com medo do que ele pudesse fazer caso não seguisse as suas regras.
- Ué, mas já vai embora? Nem deu tempo de uma rapidinha. - Disse rindo.
- Elliot vai para casa, é melhor ele ficar com Maddox e Agnes do que comigo aqui.
- Você ainda está morando lá, Elliot? - Luda levantou as sobrancelhas, surpreso com o comentário da irmã.
- Vamos, Natasha. - Gentilmente levou a garota para fora da mansão, deixando-a confusa.
- Eu posso entender o climão entre você e o meu irmão? Entendo que ele e você nunca se deram bem, mas tem algo realmente estranho acontecendo.
- Eu não... Um dia eu te conto, está bem?
- Que seja. Vou te levar para casa.
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Animal Instinct
Romance(PLÁGIO É CRIME) Elliot Campano é um homem quase chegando aos seus trinta anos, divorciado e que única ocupação é escrever colunas pessimistas para um jornal. No entanto, ele vê isso tudo mudar quando dois irmãos chamados Agnes e Maddox, de 17 e 19...
