A Primeira Luta (2)

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Uma rocha. Uma rocha estava sendo a minha fonte de salvação para não ser atingido por aqueles lasers que estavam saindo dos olhos daquele garoto. Existe a probabilidade de eu morrer no primeiro dia em que fiquei naquele lugar maluco? Espero que não. Os lasers atingiam o chão formando um buraco naquela areia meio avermelhada.

- Saía deste lugar, seu miserável- ouço a voz do menino em um tom alto se aproximando do lugar que eu estava. - Você quer sair vivo dessa? Que estúpido. Ninguém nunca saiu vivo dessa. Nunca.

A sensação de meu coração estar quase saindo pela boca é horrível. Algo dentro de mim pulsava para ir enfrenta-lo cara a cara, mas a quantidade de medo que estava sentindo transbordava de mim. Provavelmente eu estaria cheirando a medo, pavor e pânico. Sinto que a rocha estava se mexendo. Me viro e vejo que a mesma estava sendo movida por aquele Ghramer assustador.

- Olha só quem eu achei. Vamos ver se eles gostam de sopa de Ghramer novato.- ele riu freneticamente de um modo do qual me deixava cada vez mais apavorado.

Me levanto e saio correndo. Estava tentando dar passos cada vez mais longos, mas a adrenalina estava à mil.

- Você pode correr... mas não pode se esconder- ele gritou logo atrás de mim.

Algo quente passou de raspão em minha coxa, queimando parte do bolso da minha calça e me fazendo cair naquele solo precido com o deserto. Levo minha mão na mesma parte do meu corpo da qual estava sangrando e olho para a sombra que o corpo do mutante provocava ao andar em minha direção.

- Olha, olha. Por favor. Não faça nada comigo, por favor. Você não precisa fazer isso, não é?

- Claro que preciso, seu tolo. Só um de nós vai sair dessa vivo... e eu prefiro que seja eu.- ele falava enquanto seus olhos passavam de um castanho-escuro para um tom vermelho brilhante, o que significava que ele iria lançar outro laser em direção à meu rosto.

De repente, alguma sensação estranha se espalha por meu corpo. Como um arrepio que vai se alastrando em seu corpo, deixando seus pelos arrepiados. Assim que percebo que ele já estava preparado para lançar aquele raio avermelhado dos olhos, levo meu braço ao meu rosto bloqueando o mesmo. Sinto que algo se acumula no interior do meu corpo, como se fosse uma energia. Aquela sensação estranha já estava me deixando mais nervoso do que antes, mas, de repente, aquilo já havia sumido. Apenas o medo existia em meu corpo, como antes.

Segundos se passaram. O barulho da platéia do lado de fora tinha acabado e a sombra provocada pelo corpo do menino havia sumido, deixando a luz do sol bater em meu rosto novamente. Abro os olhos lentamente, observando algo impossível. Ele estava caído no chão, com a cabeça sangrando e o corpo imóvel. Ele não executava nem ao menos o movimento de inspiração.
Me levanto lentamente pela dor que estava sentindo em minha coxa e vou me aproximando dele mancando. Os humanos do lado de fora da cúpula estavam com a expressão de " O que foi isso? ". Parando para reparar em cada detalhes neles, todos estavam do mesmo jeito. Parados. Imóveis. Sem demonstrar um mísera emoção.

Algo me deixou alarmado. Uma música, como se fosse a de uma comemoração por uma vitória. Me viro e vejo dois homens com roupas anormais das que já vi antes. Eles usavam um capacete, o que me atrapalhava a identifica-los. Abaixo do capacete, uma vestimenta igual à uma armadura, porém o brilho dela deixava claro que aquilo era feito com um tipo de metal. Eles seguravam uma arma de plástico, como uma espingarda, porém mais atual.
Cerro os olhos não entendendo nada do que estava acontecendo, e logo em seguida eles apontam a arma para mim. Dois lasers se mexiam em meu peito descontroladamente, como se os soldados estivessem tremendo por estarem com medo de mim. Antes que eu possa me mover, eles apertam o gatilho das armas em sintonia, e por impulso, estendi meu braço com a palma da mão aberta na direção deles, e assim pude observar algo inacreditável. Algo do qual poderia ter sido a causa da morte daquele garoto. Uma onde de energia se espalhou por todo a arena de luta, provocando uma ventania da qual espalhou os grãos de areia por todos os lados. Os dois homens se chocaram contra a parede, deixando assim as armas caírem do lado deles. Minha expressão era de espanto. Como eu podia fazer aquilo? Como eu consegui aquela habilidade? Eu pensava nessas coisas enquanto olhava na palma da minha mão, suja de sangue e areia.

- Co... como eu fiz isso?- sussurro para mim mesmo e rio levemente espantado do que acabara de ocorrer.

Sinto algo afiado penetrando meu pescoço, como se eu estivesse em um hospital e um médico me furasse com uma agulha enorme e fria. Minhas pálpebras começam a se fechar lentamente e meu corpo cai ao chão, novamente outro sedativo. Antes de desmaiar, pude ver algo, parecia ser um homem. O mesmo homem que estava narrando aquelas palavras no começo da batalha. Porém o sedativo estava fazendo o efeito, minha visão ficou novamente borrada e mais uma vez meu corpo estava no chão, inconsciente.

Acordo deitado com a respiração ofegante. Max estava sentado na mesma cadeira de início, me observando com os olhos arregalados. Até parecia que ele viu um fantasma.

- O que? - falei meio fraco com uma dor de cabeça insuportável.

- Cara... uau... como você está vivo? - ele falou em um tom surpreso e meio alegre.

- Foi difícil... muito difícil. Mas sinceramente, nem eu sei como estou vivo agora.

- Você é diferente dos outros... nenhuma pessoa que dividiu a cela comigo voltou vivo depois de um luta.

- Bem... devo ser um cara de sorte. - rio levemente e deito lentamente na cama, batendo meu braço na queimadura em minha coxa.- Ai! Que raiva.

- Então, você voltou com a coxa enfaixada. Sinal que a luta foi boa. Lutou com quem?

- Não sei o nome dele. Era um menino. Soltava lasers pelos olhos e...

- Ah, o Julius. Conheci ele uma vez. Ele se achava o machão daqui. Nós já discutimos uma vez, e ele quase esmagou minha cabeça com a palma da mão.
- Então você gostou do fato de ele ter morrido?

- Bem... digamos que não será uma pessoa que me deixará com saudades. - ele falou enquanto balançava os ombros como um sinal de duvida.

- Hum... enfim. Lembra da pergunta que você me fez? Sobre o meu poder?

- Claro. Eu estou mais curioso ainda para saber sobre isso.

- Então... eu... tipo que...

- Vamos! Fale logo!

- Eu não sei explicar meu poder... mas é como se eu formasse uma onda de energia que se expande em toda a minha volta... criando uma força que fizesse tudo ir para longe... como uma...

- Propulsão? - ele me interrompe.

- É ... como se fosse uma propulsão... como sabe? - falo em um tom de dúvida o observando. Ele estava com uma expressão da qual me deixou preocupado.

- Ah... não. Não é nada demais. É que... esse poder é bem legal, sabe? Fiquei até com inveja. - ele falou rapidamente enquanto se levantava da cadeira e andava até a porta transparente da cela. Aquilo só aumentava minha preocupação.

- Hum... eu... eu vou dormir um pouco. O dia foi muito cansativo.
- Ok,ok, eu entendo. Dorme bem
Novato com aparência de Veterano. -ele rapidamente subiu na parte de cima da beliche dizendo apenas aquelas palavras. Era um gesto muito educado de ter deixado eu dormir na cama dele, já que eu não estava muito bem pelo dia que tive. Me viro de lado e fecho os olhos. Eu estava completamente mergulhado em sono e estava bem nítido que eu precisava de um descanso.

Aquela cama era a primeira coisa confortável da qual pude aproveitar ao decorrer do tempo. Todas as partes do meu corpo estavam doloridas, talvez seja por causa da luta, ou eu ainda estava sob o efeito do sedativo. Uma coisa não saía de minha mente. A imagem borrada do homem de preto que injetou aquilo em mim mais cedo. E por que o Max ficou daquele jeito quando eu falei sobre meu poder? Aquela não era a reação que eu estava esperando. Eu estava louco com tudo que se passava em minha mente, acho que eu estava cansado tanto fisicamente quanto mentalmente. Depois de um tempo pensando nas coisas, acabo caindo no sono e adormecendo para enfrentar um novo dia naquele lugar horrível.

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